natureza política

Arquitetura Desobediente 2017.1

Arquitetura Desobediente 2017.1

ocupação rosa leão

PRJ081 | contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

O PFLEX Arquitetura Desobediente, no primeiro semestre de 2017, foi desenvolvido em parceria com a coordenação da Ocupação Rosa Leão, a partir da reflexão sobre memória e feminismo, com o foco em reconstruir a história da Ocupação Rosa Leão sob o olhar das mulheres.

Desenvolvimento

Para tal, foram construídos (1) a base de uma linha do tempo, (2) variadas formas de corpos femininos (baixos, altos, gordos, magros), (3) uma coleção de palavras pinçadas em conversas informais com as moradoras da ocupação e nos debates em sala de aula (alegre, triste, luta, feminino, moradia, rua, cuidado, compartilhamento, disputa, etc), e (4) uma coleção de imagens da ocupação, baixadas da internet.
 

A proposta era que as moradoras se representassem na linha do tempo no momento em que chegaram na ocupação e no momento mais marcante de sua vida na comunidade, e que identificassem no tempo eventos importantes da luta, a partir das fotos e das palavras impressas pelas estudantes. Para que o jogo não fosse algo fechado e pré-definido, papéis em branco também foram levados, além de tesouras e lápis de cor, para que novas palavras fossem escritas ao longo do processo, e para que cada moradora pudesse inserir suas marcas e suas histórias nos corpos desenhados.

A construção da linha do tempo (e da memória) visava recuperar lembranças sobre momentos de luta, das violências vividas, das amizades feitas, do orgulho de ser negra e das dores de ser ameaçada de despejo, que desencadearam narrativas potentes sobre as práticas femininas e feministas sobre a produção de um território não apenas físico, mas sobretudo afetivo.

Assim, lembranças foram narradas, e depois registradas, puderam ser transformadas em suportes (cartazes, estandartes, livro) de uma instalação para a comemoração do aniversário da ocupação. Tessitura de lembranças e saberes que evidenciaram outras subjetivações, subversivas e potentes, indicando pistas para a construção de outras condutas.

Alun@s

Flávio Barbosa

Gabriela Resende

Luiza Salles

Daniela Faria

Ludmila Aquino

Lethícia Gomes

Henrique Porto 

Camila Alvarez

Verônica Horta

Maria Clara Mariano

Natália Ravagnani

Gabriela Tavares

Tayná Marques

Arquitetura Desobediente 2016.2

Arquitetura Desobediente 2016.2

Casa Tina Martins

PRJ081 | Contexto da disciplina

Arquitetura Desobediente foi um novo conceito que surgiu do projeto de extensão Artesanias do Comum, na Escola de Arquitetura da UFMG. Organizada pela professora Marcela Brandão, no curso de Arquitetura, essa disciplina de projetos (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente) é desenvolvida em articulação com as demandas a serem identificadas e problematizadas com algum grupo em situação de vulnerabilidade social, tendo como proposta desenvolver ações colaborativas para reformar e restaurar espaços com o uso de produtos confeccionados coletivamente nas aulas a partir de materiais recicláveis. No primeiro bimestre de 2016-2, a disciplina se articula com a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, fruto da luta do movimento feminista Olga Benário, instalada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, à Rua Paraíba, 641.

Nesse contexto, a parceria firmada visou elaborar um projeto para a reforma na casa da Tina Martins criando dispositivos para melhor apropriação do espaço da casa, compatível com a realidade e os recursos disponíveis e adquiridos, e aliado ao objetivo pedagógico de introduzir o método cartográfico como ferramenta de experimentação e construção de práticas arquitetônicas; provocar a discussão sobre as forças que atuam na produção do espaço (forças hegemônicas de mercado e forças subversivas e desobedientes); investigar e discutir possibilidades projetuais que possam potencializar e/ou ativar práticas arquitetônicas cotidianas da produção do espaço; investigar e desenvolver ferramentas de representação que permitam uma interlocução dialógica e aberta a todos os atores envolvidos; investigar e desenvolver propostas arquitetônicas consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos; e desenvolver propostas arquitetônicas coerentes com as investigações e discussões propostas.

Processos de aproximação do território

A aproximação ao território foi amplificada através da elaboração de instrumentos dialógicos, objetivando ir além da representação técnica focada apenas nos dados físicos e materiais. Assim, os alunos elaboraram, além da maquete do espaço, jogos interativos para identificação de demandas, problemas e desejos junto às interlocutoras da Tina, alinhados a uma interlocução dialógica e aberta a todos os atores envolvidos.

01

Ainda, em auxílio à investigação e desenvolvimento de propostas arquitetônicas consistentes, os alunos participaram de oficinas práticas ministradas no laboratório de metais da universidade, podendo amplificar conhecimentos sobre marcenaria, morfologia da estrutura e o uso do bambu.

02

Propostas

A partir da cartografia colaborativa e do levantamento dos dados físicos do território, foi possível elaborar propostas para a Casa Tina Martins. Indo à prática, venda de produtos na Feira de Tudo (um evento cultural colaborativo organizado pelos próprios expositores, que acontece uma vez por mês na Praça da Escola de Arquitetura da UFMG e circula por outros espaços da cidade em edições extras) para arrecadação de recursos, além de mutirões, foram realizados para viabilizar a execução e instalação dos objetos e dispositivos sugeridos, além da requalificação do espaço.

Além de elementos físicos propriamente ditos (caixas organizadoras, quadro para fotos e recados, adaptação de armário, entre outros), também foram gerados na disciplina materiais instrutivos: cartilhas com dicas de como fazer o preparo e a pintura de paredes internas, dicas de finanças, de marcenaria e para a realização de mutirões de organização, além do registro do passo a passo para produzir os objetos propostos.

Arquitetura Desobediente | 2020.1

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Arquitetura Desobediente | 2020.1

Carolina Maria de Jesus

PRJ081 | Contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

Este PFLEX foi o primeiro a ser desenvolvido durante a pandemia do Covid, o que inicialmente causou dúvidas se haveria condições dele acontecer, tendo em vista a participação dos parceiros e a execução de parte dos projetos desenvolvidos, seja por mutirão ou construção de protótipos, estaria limitada ou mesmo comprometida. De fato, não houve a execução efetiva dos projetos, mas a participação da coordenação e dos moradores foi intensa, diríamos inclusive que foi maior que as versões anteriores do Arquitetura desobediente, possivelmente.

Importante ressaltar que o PFLEX já havia articulado parcerias com a ocupação em 2018 (1 e 2) e em 2019-1. Ou seja, tratava-se de uma parceria sólida, cujos laços de confiança já estavam consolidados.

Processos de aproximação do território

A turma foi dividida em 4 grupos de acordo com as demandas trazidas: creche para as criança, uma cozinha coletiva para suporte nas produção de marmitas, compotas e hambúrgueres já em curso, um salão de beleza também em funcionamento no edifício e a adaptação das moradias para atender melhor os arranjos familiares daquele momento.


Novamente, a disciplina se iniciou por meio de jogos, desta vez desenvolvidos por meio da plataforma The Miro, que também permitiu que o desenvolvimento das propostas fosse feito de forma muito interativa.

Propostas

No caso do salão de beleza, o trabalho do grupo de alunas foi importante tanto para a definição do local exato onde seria implantado o salão, como para a discussão sobre as instalações de água e esgoto, quanto para o desenvolvimento dos lay-outs e mobiliários. Vale dizer que posteriormente esse projeto foi executado pelos moradores cabeleireiros do salão.

No caso da cozinha coletiva, o grupo desenvolveu 3 propostas diferentes, capazes de atender demandas crescentes mapeadas durante as dinâmicas, ou seja, desde o suporte para a confecção das atividades culinárias já em curso, passando para um futuro restaurante aberto ao público, e finalmente um restaurante escola.

Quanto à creche, as dinâmicas desenvolvidas pelas alunas foram fundamentais para se definir o local onde seria implantada a creche, considerando os acessos, as instalações sanitárias e espaços vizinhos do andar, que deveriam também ser contemplados. O resultado foi um projeto consistente e muito acolhedor.

Em relação aos arranjos das moradias, a dupla de alunos desenvolveu um jogo, organizado em 3 etapas:(1) como é que é (2) é treta? (3) e se. A proposta era que os próprios moradores pudessem definir os arranjos mais adequados às suas necessidades habitacionais. Esse jogo foi posteriormente usado para o desenvolvimento do TCC de uma orientanda da professora Marcela Brandão, a Luiza Guinho, aluna do PFLEX em 2018-2, que desde lá criou um vínculo forte com os moradores da ocupação.

Arquitetura Desobediente | 2018.2

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Arquitetura Desobediente | 2018.2

Carolina Maria de Jesus | Espaços coletivos

PRJ081 | Contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

A disciplina foi desenvolvida no segundo semestre de 2018 na Ocupação Carolina Maria de Jesus, discutindo e construindo soluções arquitetônicas para seus espaços coletivos. Como aposta-se na importância e no reforço do tripé pesquisa-ensino-extensão, participou desse processo a bolsista do programa Natureza Política, Cintya Ornelas. Os grupos foram divididos segundo os espaços da portaria, pracinha, refeitório, creche e escada.

Processos de aproximação do território

A primeira visita ao território com objetivo de fazer o levantamento foi feita no dia 22 de agosto. O objetivo era realizar uma dinâmica junto aos moradores para mapear as questões essenciais do território.

A dinâmica se iniciou com uma conversa sobre as atividades exercidas na antiga ocupação Carolina, o que eles gostavam de fazer e o que gostariam de continuar a praticar no novo espaço. Em seguida, os alunos apresentaram a maquete e percorreram pelos lugares que ela representava e pediram aos participantes que colocassem no espaço tudo que desejariam que tivesse. Conforme as pessoas iam colocando suas peças, gerava-se uma discussão entre os moradores acerca da adequação da peça ao local.

Percebeu-se que os moradores já criavam um imaginário de lugares e como eles querem os espaços, de uma forma mais organizada. Parecia consensual entre eles a necessidade de um local para atividades de descanso, também, já que todos optaram por atividades tranquilas em detrimento daquelas que requerem maior agitação.

Jogos e dinâmicas utilizadas com as crianças e moradores da ocupação

Propostas

Após todos os levantamentos e visitas iniciais, os grupos produziram diagramas de verbos e cores para a melhor visualização das problemáticas e potencialidades de cada lugar. As propostas em geral se voltaram para plantas/cortes técnicos e humanizados e o detalhamento dos principais objetos e equipamentos que seriam utilizados em cada um dos espaços. Dessa forma, os alunos listaram os principais materiais e o modo de execução de cada elemento proposto, de forma que os moradores pudessem replicá-los apenas com o manual.

Escada

Quanto à segurança, o grupo decidiu propor piso antiderrapante, adesivo refletivo, rede de proteção e extintores de incêndio. Quanto à necessidade de descanso, o grupo propôs bancos dobráveis nos patamares ou entre os pavimentos. Quanto à comunicação, a instalação de sinos foi a solução para aviso na hora dos encontros e quadros para avisos gerais pregados na parede. Por fim, o grupo propôs representações artísticas nos corredores de acordo com os nomes dos pavimentos. A execução seria realizada em conjunto com os moradores de acordo com suas habilidades (marcenaria, pintura, grafite, etc.), com ajuda de arrecadação de recursos na “Feira de Tudo” e divulgação nas redes sociais.

Refeitório

O grupo optou pela reforma e pintura de mesas, cadeiras e bancos, móveis feitos com pallets, uma horta vertical e um espaço de cultivo. Além disso, o espaço conta também com espaços de lazer e convívio.

Creche

Focou na produção de mobiliário infantil para o uso das crianças da ocupação, utilizando madeira de reuso devidamente acabada e pintada.

Portaria

O grupo decidiu promover diversas atividades neste espaço, como a exposição permanente de artes dos moradores e de registros da ocupação, uma biblioteca referente às atividades existentes no andar e um mural de identidade visual.

Propostas dos grupos da escada, refeitório, creche, portaria e pracinha, respectivamente.

Produção dos mobiliários em parceria com os moradores.

Produtos finais

Alun@s

Grupo Portaria

Luara de Oliveira

Luiza Guinho

Talal Belanaya

Grupo Pracinha

Felipe Hardy

Mauro Franco

Maria Luiza

Grupo Refeitório

Ana Clara Vargas

Isabella Morais

Luiza Lessa

Grupo Creche

Alexandre Bailleux

Clara Banterli

Maria D. Donosco

Grupo Escada

Carlos Victor

Isabela Catarina

 

Arquitetura Desobediente | 2023.2

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Arquitetura Desobediente | 2023.2

ocupação maria do arraial

PRJ081 | Contexto da disciplina

Em 2023-2, a disciplina de projeto PFLEX Arquitetura Desobediente, ministrada na Escola de arquitetura da UFMG, desde 2016, foi ministrada em parceria com a coordenação e moradores da Ocupação Maria do Arraial, e  contou com a participação dos mestrandos Christino Almeida e Paula Lemos.

Tendo como objetivo colocar em perspectivas as contradições e as conquistas do processo de retomada da população negra ao centro de BH, foram desenvolvidos projetos expográficos, que resultaram na montagem da exposição Desenterrando Histórias, organizada por meio de 4 eixos narrativos: Diásporas e Quilombos, Quem luta cuida; Marias e Ocupações e Trampos, bicos e trocos.

Processo de produção da exposição

Exposição | Desenterrando Histórias

Diásporas e Quilombos

Quem luta cuida

Marias e Ocupações

Trampos, bicos e trocos

Jardim no Jardim América

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Jardim no Jardim América

PRJ089 | Contexto da disciplina

A disciplina PRJ 089 – Jardim no Jardim América foi desenvolvida no primeiro semestre do ano de 2022 sob a orientação da professora Luciana Souza Bragança. A disciplina teve o objetivo da disciplina é pensar o espaço debaixo do viaduto da Avenida Silva Lobo, esquina com Avenida Amazonas. Ela será desenvolvida em módulos de projetos de paisagismo/jardins para a praça que será construída. O projeto foi pensado com a participação da comunidade envolvida.  Serão levados em consideração elementos como: plantas, animais, água, clima, ventos, insolação e pessoas não apenas como objetos, mas também como sujeitos nos projetos.

A disciplina teve início a partir da discussão e problematização de conceitos norteadores de projetos como: sustentabilidade, rios urbanos, paisagismo, paisagismo ecológico, projeto urbano ambiental, jardim e relacionamento multiespécie.

Desenvolvimento

Processos de aproximação no território

Como primeiro exercício, as e os estudantes foram ao local do projeto e tiveram um contato com os moradores do Jardim América e a associação comunitária. Depois sistematizaram algumas das práticas mapeadas no território, compartilhadas entre todas e todos. A partir do reconhecimento do território, e do levantamento de dados técnicos, essa atividade permitiu aos alunos identificarem conflitos, potencialidades e diretrizes para o projeto. Essa primeira etapa foi realizada em grupo de 5 alunos.

Propostas

Na primeira etapa das propostas foi feito um mapeamento coletivo com a contribuição de todos os alunos da disciplina.

A partir das discussões feitas e alterações propostas cada grupo finalizou uma proposta inicial de o que e como intervir no território. Após essa abordagem os alunos foram ao local em um encontro com a comunidade, os bolsistas da extensão, membros da Regional, empresa parceira da comunidade para apresentar e discutir as propostas. A banca foi realizada com os envolvidos diretamente no processo.   

As propostas foram desenhadas com giz no território e negociadas a partir do entendimento 1:1 do território.

Para a realização e desenvolvimento do projeto foram realizadas: 

  • Aulas expositivas com o intuito de apresentar ao aluno(a) projetos correlatos à proposta;
  • Orientações para o levantamento de dados no local;
  • Orientações coletivas e individuais para o desenvolvimento do projeto ao longo de todo o semestre;
  • Banca intermediárias para a apresentação do projeto ao final da ETAPA 1.
  • Projeto Técnico 

Primeira abordagem desenvolvida pelos bolsistas do natureza política

Parque urbano

Parque urbano

PRJ087 | Ementa

No segundo semestre de 2016, as possibilidades de projetos complexos e áreas públicas que  representassem elementos de ampliação da vida urbana estavam sendo discutidas na extensão pelo programa Natureza Políticas.   Os alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG foram convidados a problematizar a forma em que pensam os espaços da públicos da cidade, em particular os parques, e propor uma cidade para todos a partir da disciplina de projetos flexibilizados – PFLEX –   ministrada pela professora Luciana Souza Bragança.

A disciplina ministrada pela professora tem como proposta a resolução de projeto de parque urbano envolvendo situação urbana complexa, na escala dos bairros, aprofundando nos estudos das relações entre a arquitetura, a cidade e a paisagem.

Objetivos

  • Estudar a complexidade das relações sócio-espaciais que envolvem um meio a ser modificado por um projeto de parque urbano; 
  • Compreender as relações que (re)modelam a paisagem da cidade; 
  • Buscar formas de projeto, contextualizado nas dinâmicas econômicas, sociais, culturais e tecnológicas dentro das seguintes temáticas:  parques urbanos;  espaços verdes;  espaços residuais;  vazios;  águas urbanas;  conexão de tecidos urbanos fragmentados. 

Metodologia

Métodos de ensino:

Para a realização e desenvolvimento do projeto, serão contempladas: 

  • Aulas expositivas com o intuito de apresentar ao aluno(a) projetos correlatos à proposta do Parque Urbano do Arrudas
  • Orientações para o levantamento de dados no local e pesquisa sobre os dados já produzidos sobre o local.
  • Orientações coletivas e individuais para o desenvolvimento do projeto ao longo de todo o semestre. Banca intermediárias para a apresentação do projeto ao final da Etapa 1. 
  • Projeto Técnico do Parque

Orientação:

O processo de orientação será feito da seguinte forma:

  • Nas primeiras aulas a turma será dividida em grupos temáticos de orientação
  • Os grupos temáticos de orientação objetivam reunir alunos que estarão desenvolvendo projetos para o parque em torno de uma mesma abordagem ou de uma temática próxima. 
  • Orientação para o projeto do Parque Linear do Arrudas

Exercício inicial

Etapa inicial:

  • Cartografia  com apontamento de conflitos, potencialidades e diretrizes de intervenção.
  •  A partir dos projetos existentes, do reconhecimento do território, da cartografia dos agentes e ações e da apresentação de dados técnicos elencar conflitos, potencialidades  diretrizes para o projeto. 
  • Foi proposto aos alunos problematizar o projeto apresentado pelo poder público a partir do entendimento das águas na cidade – bacias hidrográficas e elementos morfológicos que influenciam.

Etapa 01

Etapa 01: Desenvolvimento do projeto – elaborar propostas, abrangentes quanto ao território, a partir da crítica aos projetos existentes e dos conceitos apresentados. Na primeira etapa os projetos devem espacializar diretrizes amplamente no território como um plano urbanístico.

Projeto equipe 1

Projeto equipe 2

Projeto equipe 3

Projeto equipe 4

Projeto equipe 5

Projeto equipe 6

Exercício Final

Etapa 02: Desenvolvimento do projeto – projeto técnico 

Os projetos poderão ser elaborados com diversos objetivos: serem objeto de licitação, serem instrumentos de negociação com o poder público, serem integrados aos comitês de bacias hidrográficas de Belo Horizonte.

Resultados

Os projetos apresentados discutem as possibilidades de um projeto de parque urbano criar elementos de conexão, de contribuir amplamente para o sistema hídrico, com o sistema verde e principalmente com a vivência harmônica entre humanos e não-humanos ao construir espaços de conexão da vida. 

Alun@s

Ana Laura Prates Noce

Antonino Calicchio Demetrio

Brenda Alves De Freitas

Bruna Montes Souza

Bruna Xavier Penna

Gabriel Meyer Paixão

Gabriela Ferreira

Isadora Lage Bistene

Jordan De Oliveira Ferreira Cabral

Mariana Julia Souza Barbosa Lima

Marília Pimenta Chaves

Miguel Victor Pereira Veloso

Miriene Cristina Valu De Souza

Paula De Castro Mendes Gomes

Priscila Martins Silva

Rafaela De Carvalho Martini

Rogerio Lucas Goncalves Passos

Thaissa Cysne Frota Adjafre

E se fosse para planta? Uma abordagem Multiespécie

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E se fosse para planta? Uma abordagem Multiespécie

PRJ087 | Contexto da disciplina

No segundo semestre de 2021, as possibilidades de projetos multiespécies estavam sendo discutidas pela pesquisa Jardins Possíveis.   Os alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG foram convidados a problematizar a forma em que pensam os espaços da cidade e propor uma cidade para todos “humanos e não-humanos” a partir da disciplina de tópicos em Arquitetura e Urbanismo –   ministrada pela professora Luciana Souza Bragança. 

E se fosse para planta? A partir dessa pergunta disparadora a disciplina propôs aos alunos projetar espaços para as plantas nas cidades. A arquitetura, tradicionalmente, projeta espaços para os seus clientes humanos. Todavia, esse recorte unicamente antropocentrado das discussões disciplinares vem impactando nosso ambiente de maneira a transformá-lo. A questão central nessa proposta é entender que para se pensar em sustentabilidade e ecologia é preciso  mudar essa percepção antropocêntrica. Assim o exercício proposto desloca os alunos, futuros arquitetos, para propor espaços para outros seres vivos: as plantas. Essa disciplina é um desdobramento da pesquisa Jardins Possíveis e da disciplina PRJ087- Como Pensar a Natureza na cidade? uma abordagem multiespécie.  

A experiência foi baseada nas conclusões da Pesquisa Jardins Possíveis entendendo os possíveis revelados em campo pelos jardins descobertos. De humanos a não-humanos, separados ontologicamente pela ideia moderna de natureza, à amigos. Esse foi o possível que os jardins trouxeram para se pensar os espaços, os territórios, a cidade. A pesquisa pôde fazer ver outros mundos, outros territórios, outros jardins possíveis, jardins microcosmos do infinito esses como um microcosmo da Terra viva, ontologia de mundos relacionais. 

A luz desses jardins foi possível iluminar diferentemente o regime de visibilidade da arquitetura e do urbanismo e ver essas famílias multiespecíficas que se preservam pelo cuidado, amor e amizade, onde as disputas não são primordialmente econômicas, coletivos multiespécies territorializados que sobrevivem nas bordas do capitalismo e do seu planejamento e ocupam um pouco mais de 50% do território estudado. 

Todavia, nossa forma de construir espaços interconectados apenas ao humanismo antropocêntrico ou ao mercado em expansão não é suficiente para esses mundos. É preciso, num ato de resistência, levantar esses possíveis cosmopolíticos da arquitetura e do urbanismo baseados em alianças afetivas e confluências, imanência das possibilidades presentes nos jardins para Cidades Jardins Possíveis. Reativar aquilo de que fomos separados no planejamento e na invisibilização, mas que sobrevive no cotidiano e na memória dos jardins. 

O objetivo da disciplina foi fazer uma provocação e convocação aos estudantes para fazer do espaço a possibilidade concreta de extensão da subjetividade e das formas de alteridade aos outros seres, orgânicos e inorgânicos, que não os humanos.

Seremos capazes de alargar o círculo político e considerar a todos sujeitos e não mais objetos? O que foi realmente colocado em jogo pela disciplina é principalmente a pergunta: é possível se pensar a “cidade para todos” como sinalizado nos jardins?

Como proposta de base foram buscados possíveis caminhos para pensar o que significa resistir enquanto arquitetos e urbanistas diante da chamada crise ecológica que vivemos e quais são os reais aliados nessa busca. Daí, partindo do entendimento da cosmologia dos jardins e do termo cosmopolítica como proposto por Stengers e Latour, foi desenvolvida a possibilidade cosmopolítica dos jardins como ferramentas de entender e de propor Cidades. 

A disciplina foi pensada e proposta como uma hipótese investigativa de como poderiam ser incluídos outros agentes, neste caso as plantas, no processo de projeto e planejamento urbano. A ideia levantada na disciplina é a possibilidade de pensar todos esses agentes a partir de bases espaciais que os levem em consideração não apenas passivamente ou para usufruto dos humanos.

Metodologia

O objetivo geral da disciplina foi pensar todos os agentes da cidade no projeto, construindo outras perguntas. 

EMENTA: E se fosse para planta?

O objetivo da disciplina é pensar a cidade a partir das plantas. A proposta da disciplina é, a partir da pergunta provocadora, entender como seria possível inverter as prioridades nos projetos de arquitetura e urbanismo, trazendo para o centro das questões as plantas. A ideia é pensar estratégias para pensar o espaço a partir da perspectiva da planta.

Ela foi desenvolvida em módulos com objetivo final de propor projetos de espaços para as plantas na cidade.

Os resultados esperados foram projetos que especulassem um modo de pensar a relação entre humanos e não-humanos na produção espacial pensado a partir das plantas. 

Os objetivos específicos foram: estudar a complexidade das relações sócio-espaciais que envolvem um meio a ser modificado por um projeto urbano incluindo o jardim e que trabalha com a ecologia; compreender as relações entre os diversos agentes nas cidades principalmente entre pessoas e plantas; buscar formas de projeto contextualizado nas dinâmicas próprias dentro das necessidades e formas de viver das plantas.

AVALIAÇÕES:

TP1:
Leitura e apresentação dos conceitos chaves em um seminário. Individual. Texto: Capítulos: Arquiplantas e Cosmoplantas. Livro “A revolução das plantas”, Stefano Mancusso.

TP2:
Desenvolvimento intermediário das ideias e apresentação. Discussão.

TP-final:
Apresentação de diretrizes de projeto em seminário. Tempo de apresentação: 20 minutos.

Exercício inicial

Na aula inicial foi apresentada a proposta e foram apresentadas e discutidas as ideias de sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, ecologia, natureza e as políticas da e para a ‘natureza’, suas propostas e seus limites. As problematizações foram conduzidas no sentido de iluminar as limitações das formas que são consideradas os outros seres pela arquitetura e o urbanismo e que são direcionadas por esses conceitos. O objetivo de preservar o crescimento econômico e não a vida e as implicações antropocênicas apontadas no capítulo anterior foram muito presentes nas colocações feitas por mim e nas falas dos alunos.

Os alunos foram inicialmente apresentados a essa proposta a partir da Pesquisa Jardins Possíveis e dos capítulos: Arquiplantas e Cosmoplantas do livro “A revolução das plantas” de Stefano Mancusso.  

Houve uma apresentação para toda a turma das reflexões produzidas com a leitura.

Exercício Final

Na segunda parte da disciplina os alunos se juntaram em grupo  para propor um projeto para as plantas.

Resultados

A proposta era de construir uma perspectiva não antropocêntrica dos projetos.

Sem a pretensão de unificação entre os humanos e as plantas, os alunos foram incentivados nas orientações a pensar sobre as decisões espaciais a partir de disputas territoriais de vontades e possibilidades de cada agente e no enredamento desses amigos e dessas disputas muito presentes nos espaços. 

As propostas foram construídas mirando na cosmopolítica espacial possível como uma nova Cidade Jardim numa composição progressiva do mundo em comum a compartilhar e onde a agência de todos está presente.

Projeto dos alunos

Política verde

Trabalho dos alunos: Erika Hashimoto, Marco Faria e Paula Miari

Mata Ciliar

Trabalho dos alunos: André Chaves, Luiza Mendanha e Marcela Almeida

Para plantas

Trabalho dos alunos: Julia Moura, Laryssa Helena, Thiago de Freitas

E se?

Trabalho dos alunos: Julia Moura, Laryssa Helena, Thiago de Freitas

Jardim no São Geraldo

Trabalho dos alunos: Antônio Prado, Augusto Crosara e Bruna Barros

Alun@s

Alice Umbelino Passos

Andre Meira Chaves

Antonio Prado Libanio

Augusto Crosara Vieira

Brenda Rodrigues Barros

Bruna Barros Rodrigues

Erika Kochi Hashimoto

Gabrielle Silva Costa De Araujo

Haroldo Fernandes Viveiros Filho

Julia Moura Costa

Julia Villanova Valadares

Laryssa Helena De Paula

Lucas Geronimo Oliveira Dos Santos

Luiza Born Mendanha

Marcela Almeida De Souza

Marco Antonio Rodrigues Faria

Paula Esteves Miari Brito

Silvia Ramos Dos Santos Souza

Thiago De Freitas Pessoa

Victoria Inez De Carvalho Correa

Como Pensar a Natureza na cidade? Uma abordagem Multiespécie

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Como Pensar a Natureza na cidade? Uma abordagem Multiespécie

PRJ087 | Contexto da disciplina

No segundo semestre de 2018, as possibilidades de projetos multiespécies estavam sendo discutidas pela pesquisa Jardins Possíveis na extensão pelo programa Natureza Políticas.   Os alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG foram convidados a problematizar a forma em que pensam os espaços da cidade e propor uma cidade para todos “humanos e não-humanos” a partir da disciplina de projetos flexibilizados – PFLEX –   ministrada pela professora Luciana Souza Bragança. 

A experiência buscou discutir as conclusões da Pesquisa Jardins Possíveis entendendo os possíveis revelados em campo pelos jardins descobertos. De humanos a não-humanos, separados ontologicamente pela ideia moderna de natureza, à amigos. Esse foi o possível que os jardins trouxeram para se pensar os espaços, os territórios, a cidade. 

A pesquisa pôde fazer ver outros mundos, outros territórios, outros jardins possíveis, jardins microcosmos do infinito esses como um microcosmo da Terra viva, ontologia de mundos relacionais. A luz desses jardins foi possível iluminar diferentemente o regime de visibilidade da arquitetura e do urbanismo e ver essas famílias multiespecíficas que se preservam pelo cuidado, amor e amizade, onde as disputas não são primordialmente econômicas, coletivos multiespécies territorializados que sobrevivem nas bordas do capitalismo e do seu planejamento e ocupam um pouco mais de 50% do território estudado. Todavia nossa forma de construir espaços interconectados apenas ao humanismo antropocêntrico ou ao mercado em expansão não é suficiente para esses mundos. É preciso, num ato de resistência, levantar esses possíveis cosmopolíticos da arquitetura e do urbanismo baseados em alianças afetivas e confluências, imanência das possibilidades presentes nos jardins para Cidades Jardins Possíveis. Reativar aquilo de que fomos separados no planejamento e na invisibilização, mas que sobrevive no cotidiano e na memória dos jardins. 

O objetivo da disciplina foi fazer uma provocação e convocação aos estudantes  para fazer do espaço a possibilidade concreta de extensão da subjetividade e das formas de alteridade aos outros seres, orgânicos e inorgânicos, que não os humanos.

Seremos capazes de alargar o círculo político e considerar a todos sujeitos e não mais objetos? O que foi realmente colocado em jogo pela disciplina é principalmente a pergunta: é possível se pensar a “cidade para todos” como sinalizado nos jardins?

Como proposta de base foram buscados possíveis caminhos para pensar o que significa resistir enquanto arquitetos e urbanistas diante da chamada crise ecológica que vivemos e quais são os reais aliados nessa busca. Daí, partindo do entendimento da cosmologia dos jardins e do termo cosmopolítica como proposto por Stengers e Latour, foi desenvolvida a possibilidade cosmopolítica dos jardins como ferramentas de entender e de propor Cidades. 

A disciplina foi pensada e proposta como uma hipótese investigativa de como poderiam ser incluídos outros agentes no processo de projeto e planejamento urbano. A ideia levantada na disciplina é a possibilidade de pensar todos esses agentes a partir de bases espaciais que os levem em consideração não apenas passivamente ou para usufruto dos humanos.

Metodologia

O objetivo geral da disciplina foi pensar todos os agentes da cidade no projeto, construindo outras perguntas. 

Ela foi desenvolvida em módulos com objetivo final de propor pequenos projetos de jardins: em casa, na arborização, num espaço público. A partir do entendimento multiespécie, foram levados em consideração elementos como: plantas, animais, água, relevo, clima, ventos, insolação e pessoas. 

Os resultados esperados foram projetos que especulassem um modo de pensar a relação entre humanos e não-humanos na produção espacial. 

Os objetivos específicos foram: estudar a complexidade das relações sócio-espaciais que envolvem um meio a ser modificado por um projeto urbano incluindo o jardim e que trabalha com a ecologia; compreender as relações entre os diversos agentes nas cidades; buscar formas de projeto contextualizado nas dinâmicas próprias dos seguintes agentes:  plantas;  animais; águas urbanas;  clima, relevo e solo; pessoas. 

O território da cidade escolhido foi o bairro Santa Tereza.

Na aula inicial foi apresentada a proposta e foram apresentadas e discutidas as ideias de sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, ecologia, natureza e as políticas da e para a ‘natureza’, suas propostas e seus limites. As problematizações foram conduzidas no sentido de iluminar as limitações das formas que são consideradas os outros seres pela arquitetura e o urbanismo e que são direcionadas por esses conceitos. O objetivo de preservar o crescimento econômico e não a vida e as implicações antropocênicas dessa abordagem foram muito presentes nas colocações feitas por mim e nas falas dos alunos.

Exercício inicial

Os alunos foram inicialmente divididos em cinco grupos de quatro pessoas.

Cada grupo deveria buscar entender esses agentes citados acima a partir do recorte espacial escolhido e levantar hipóteses projetuais para esse grupo. 

Eles deveriam responder projetualmente às questões: e se fosse para a água? e se fosse para bicho? e se fosse para planta? e se fosse para o sol, o relevo, o solo, o vento? e se fosse para gente? Era premissa das propostas entender que as mesmas estavam inseridas na cidade e que, de alguma forma, esta cidade deveria fazer parte do projeto apresentado, portanto não era possível subtrair totalmente os humanos e seus espaços.

Houve uma apresentação para toda a turma das propostas de cada um dos grupos. Foi muito interessante ver as propostas apresentadas pela potência investigativa e propositiva que foi construída. Nenhum dos alunos, entretanto havia proposto algum projeto pensando na centralidade desses agentes, eles eram estudados como objetos que privilegiassem a vida nas cidades para as pessoas, que promovessem sustentabilidade e também como infraestrutura “verde”.   Como forma de contornar essa dificuldade esses dois grupos fizeram excelentes pesquisas e também observação de campo bem como escolheram o seguinte recorte de elementos essenciais para a vida de qualquer espécie: acesso à água, à comida e a abrigo como primordiais para as propostas, o que embora possa ser uma simplificação, traz os requisitos essenciais para uma vida de qualidade e foi importante para o tempo da disciplina.

Propostas desenvolvidas pelo grupo das Plantas

Trabalho dos alunos: Gabriela Freitas, Lygia Lott, Natielle Benvindo, Pedro Lopes

Propostas desenvolvidas pelo grupo do Vento, Sol e Terreno

Trabalho dos alunos: Arcanjo Rafael, Alix Marie, Maria Isabel, Samuel Lorenzato

Propostas desenvolvidas pelo grupo da Água

Trabalho dos alunos: Anna Beatriz Amarante, Marco Antônio Benini, Mirela Matos, Yago Assis

Propostas desenvolvidas pelo grupo dos Animais

Trabalho dos alunos: Gabriel Spagnol, Laís Bernardes, Letícia Dumont, Letícia Nunes

Exercício Final

Na segunda parte da disciplina, outros quatro grupos de cinco alunos foram formados, juntando um aluno de cada grupo anterior. Dessa forma uma nova proposta deveria ser feita levando em consideração os projetos anteriores. Deveriam ser apresentados além do projeto as discussões empreendidas e o porquê de cada escolha tendo em vista como cada agente participou das discussões.

Trabalho dos alunos: Laís Barbosa, Leonardo Salvaterra, Lygia Lott, Marco Antônio, Samuel Lorenzato

Resultado final

A proposta era de construir uma assembléia entre os mundos descobertos e propostos anteriormente. A ideia foi baseada no último capítulo “O parlamento das coisas” do livro Jamais Fomos Modernos (1994) e em Políticas da Natureza: como associar a ciência à democracia (2004) de Bruno Latour onde o autor propõe “dar voz, representação política a esses não-humanos, libertá-los do cativeiro onde vinham sendo mantidos sequestrados sob o triste rótulo de “objetos” e principalmente da proposta da eto-ecologia cosmopolítica de Stenges.

Sem a pretensão de unificação, os alunos foram incentivados nas orientações a pensar sobre as decisões espaciais a partir de disputas territoriais de vontades e possibilidades de cada agente e no enredamento desses amigos e dessas disputas muito presentes nos espaços dos jardins. Foram levantados vários tipos de divergências e antagonismos nas propostas, principalmente ao se cruzar plantas, bichos e água com a cidade formal e o grupo das pessoas. 

As propostas foram construídas mirando na cosmopolítica espacial possível como uma nova Cidade jardim numa composição progressiva do mundo em comum a compartilhar e onde a agência de todos está presente como nos jardins pesquisados. Houve uma apresentação das quatro propostas para toda a turma e para uma banca formada pela professora e dois convidados: Alceu Brito Corrêa Filho, Danilo Caporalli Barbosa.

Alun@s

Alice Renno Werner Soares

Andre Dornela Menezes

Anna Beatriz De Castro Amarante Lucio

Arcanjo Raphael Souza E Silva

Alix Marie Victoire De Marliave

Gabriel Spagnol Vizibelli Chaves

Gabriela De Freitas Cancado

Jonathan Andres Garcia Gomez

Lais De Souza Bernardes Barbosa

Leonardo Mendes Salvaterra

Leticia Do Carmo Nunes

Leticia Silva Dumont

Lygia Araujo Barbosa Lott

Marco Antonio Petruceli Benini

Maria Isabel Tamiao Santana

Mirela Matos Yoshida

Natielle Benvindo Guimaraes Reis

Pedro Henrique Caetano Lopes

Samuel Lorenzato Vasconcellos

Yago Brendow Fernandes De Assis

Práticas têxteis no Urbano

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Práticas têxteis no Urbano

uma cartografia dos fazeres e saberes das linhas

UNI072 | Sobre a disciplina

Esta disciplina reuniu alunas de diversos campos da universidade (arquitetura, artes, design, psicologia) e fora dela (artesãos, artistas). As aulas se iniciaram com as histórias pessoais das alunas relacionadas ao mundo têxtil e avançaram para discussões teóricas, visitas a ateliês parceiros e atividades práticas.

Professores responsáveis

Profa. Dra. Marcela Brandão – PRJ

Thiago Flores – Mestrando NPGAU

Desenvolvimento

O desenvolvimento do trabalho se deu a partir das atividades da disciplina, iniciadas pelas histórias pessoais das alunas, seguidas por discussões conceituais em sala e visitas à ateliers parceiros. Todo o processo foi  registrado por meio de fotos, retalhos de panos, tecidos bordados, peças de vestuário. 

Em sala de aula, tais registros foram dispostos sobre um grande pano e organizados por meio das perguntas simples propostas pelo Método Cartográfico Indisciplinar (LOPES, RENA, SÁ, 2019) a fim de se sistematizar as discussões com perguntas simples (o que, por que, com quem, com o que, onde e quando), o que permitiu arranjos temporais (quando eu era criança, quando meu avô morreu, depois do trabalho, etc) e espaciais diversos (corpo, armário, cadeira de balanço, casa , quintal, rua, fábrica, cidade).

A partir dessa atividade, o grupo de alunas produziu uma instalação, composta por bastidores dos mais diversos tipos de fazeres e técnicas manuais do universo têxtil, que buscasse registrar as trocas, as narrativas e as controvérsias fomentadas pela investigação proposta.

Trabalho final

Alun@s

Ana Carolina Lages

Carol Dupin

Cristiane Luiza Ávila

Gabriella Sevilha

Iara Paraizo

Isabella Breder

Joelle de Carvalho

Letícia Moraes

Ligia Persichini

Luiza Therezo

Patrícia Faria

Pauline Aimê

Samuel Braga

Thais Mol

Vívian Florense

linguagens técnicas e poéticas

As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.

narrativas

Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.

cartografia

A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.


O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.

assessoria técnica

Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.

giro epistemológico

O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.

(HAESBAERT)

práxis instituinte

A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.

(Dardot&Laval, 2016, p.368)

comum

O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.

Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.

(Dardot&Laval, 2016, p.40)

imaginários radicais

A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.

(Castoriadis, 1982, p.176)

emancipação

A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.


(SAFATLE)

dispositivos

“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”


(Foucault, 2015, p.364)

poder

O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.


(FOUCAULT)