Esta disciplina reuniu alunas de diversos campos da universidade (arquitetura, artes, design, psicologia) e fora dela (artesãos, artistas). As aulas se iniciaram com as histórias pessoais das alunas relacionadas ao mundo têxtil e avançaram para discussões teóricas, visitas a ateliês parceiros e atividades práticas.
Profa. Dra. Marcela Brandão – PRJ
Thiago Flores – Mestrando NPGAU
O desenvolvimento do trabalho se deu a partir das atividades da disciplina, iniciadas pelas histórias pessoais das alunas, seguidas por discussões conceituais em sala e visitas à ateliers parceiros. Todo o processo foi registrado por meio de fotos, retalhos de panos, tecidos bordados, peças de vestuário.
Em sala de aula, tais registros foram dispostos sobre um grande pano e organizados por meio das perguntas simples propostas pelo Método Cartográfico Indisciplinar (LOPES, RENA, SÁ, 2019) a fim de se sistematizar as discussões com perguntas simples (o que, por que, com quem, com o que, onde e quando), o que permitiu arranjos temporais (quando eu era criança, quando meu avô morreu, depois do trabalho, etc) e espaciais diversos (corpo, armário, cadeira de balanço, casa , quintal, rua, fábrica, cidade).
A partir dessa atividade, o grupo de alunas produziu uma instalação, composta por bastidores dos mais diversos tipos de fazeres e técnicas manuais do universo têxtil, que buscasse registrar as trocas, as narrativas e as controvérsias fomentadas pela investigação proposta.





Ana Carolina Lages
Carol Dupin
Cristiane Luiza Ávila
Gabriella Sevilha
Iara Paraizo
Isabella Breder
Joelle de Carvalho
Letícia Moraes
Ligia Persichini
Luiza Therezo
Patrícia Faria
Pauline Aimê
Samuel Braga
Thais Mol
Vívian Florense
As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.
Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.
A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.
O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.
Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.
O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.
(HAESBAERT)
A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.
(Dardot&Laval, 2016, p.368)
O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.
Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.
(Dardot&Laval, 2016, p.40)
A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.
(Castoriadis, 1982, p.176)
A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.
(SAFATLE)
“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”
(Foucault, 2015, p.364)
O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.
(FOUCAULT)