natureza política

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Práticas têxteis no Urbano

uma cartografia dos fazeres e saberes das linhas

UNI072 | Sobre a disciplina

Esta disciplina reuniu alunas de diversos campos da universidade (arquitetura, artes, design, psicologia) e fora dela (artesãos, artistas). As aulas se iniciaram com as histórias pessoais das alunas relacionadas ao mundo têxtil e avançaram para discussões teóricas, visitas a ateliês parceiros e atividades práticas.

Professores responsáveis

Profa. Dra. Marcela Brandão – PRJ

Thiago Flores – Mestrando NPGAU

Desenvolvimento

O desenvolvimento do trabalho se deu a partir das atividades da disciplina, iniciadas pelas histórias pessoais das alunas, seguidas por discussões conceituais em sala e visitas à ateliers parceiros. Todo o processo foi  registrado por meio de fotos, retalhos de panos, tecidos bordados, peças de vestuário. 

Em sala de aula, tais registros foram dispostos sobre um grande pano e organizados por meio das perguntas simples propostas pelo Método Cartográfico Indisciplinar (LOPES, RENA, SÁ, 2019) a fim de se sistematizar as discussões com perguntas simples (o que, por que, com quem, com o que, onde e quando), o que permitiu arranjos temporais (quando eu era criança, quando meu avô morreu, depois do trabalho, etc) e espaciais diversos (corpo, armário, cadeira de balanço, casa , quintal, rua, fábrica, cidade).

A partir dessa atividade, o grupo de alunas produziu uma instalação, composta por bastidores dos mais diversos tipos de fazeres e técnicas manuais do universo têxtil, que buscasse registrar as trocas, as narrativas e as controvérsias fomentadas pela investigação proposta.

Trabalho final

Alun@s

Ana Carolina Lages

Carol Dupin

Cristiane Luiza Ávila

Gabriella Sevilha

Iara Paraizo

Isabella Breder

Joelle de Carvalho

Letícia Moraes

Ligia Persichini

Luiza Therezo

Patrícia Faria

Pauline Aimê

Samuel Braga

Thais Mol

Vívian Florense

linguagens técnicas e poéticas

As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.

narrativas

Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.

cartografia

A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.


O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.

assessoria técnica

Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.

giro epistemológico

O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.

(HAESBAERT)

práxis instituinte

A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.

(Dardot&Laval, 2016, p.368)

comum

O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.

Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.

(Dardot&Laval, 2016, p.40)

imaginários radicais

A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.

(Castoriadis, 1982, p.176)

emancipação

A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.


(SAFATLE)

dispositivos

“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”


(Foucault, 2015, p.364)

poder

O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.


(FOUCAULT)