natureza política

Arquitetura Desobediente | 2022.2

capa-colagem-gentil-2022.2

Arquitetura Desobediente | 2022.2

casa de gentil

PRJ081 | Contexto da disciplina

Arquitetura Desobediente (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente) foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica. Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então, em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de demandas vindas de grupos parceiros da extensão.

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas, os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

Desenvolvimento

O Pflex Arquitetura Desobediente 2022/2 foi desenvolvido junto à Casa de Gentil- Raposos (MG),  a partir de demandas diversas: 

  • Sede da Casa de Gentil: Remanejamento dos espaços internos e Cobertura 
  • Sede da Mães Gentis: Remanejamento dos espaços internos
  • Das Casas do bairro  Várzea do sítio : soluções para as infiltrações nas fachadas das casas decorrentes das chuvas de 2020 e 2022
  • Sede do Congado: Remanejamento dos espaços internos e soluções para as infiltrações nas fachadas das casas decorrentes das chuvas de 2020 e 2022

Por meio de dinâmicas com os responsáveis de cada um desses espaços, as demandas foram priorizadas e as soluções foram construídas coletivamente.

A entrega final foi feita por meio de projetos e de um mutirão de reforma da Sede da Casa de Gentil (remanejamento espaços internos) e Congado (limpeza e pintura)

Propostas

Grupo Sede Casa de Gentil  

Grupo: Giovana Lemos, Laura Malric e Sarah Costa

Grupo Sede do Congado

Grupo: Cerena Silva, Emanuelly Vitória e Mariana Abreu

Registros da reforma

Arquitetura Desobediente | 2022.1

Arquitetura Desobediente | 2022.1

mOP-PPL

PRJ081 | Contexto da disciplina

MOP PPL PFLEX Arquitetura Desobediente (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente) foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica. Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então, em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de demandas vindas de grupos parceiros da extensão.

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas, os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

Desenvolvimento

No 1o semestre de 2022, ou seja, na volta do ensino presencial, depois de 2 anos, 4 versões no esquema virtual, o Arquitetura desobediente voltou ao corpo a corpo, no território. Desta vez, o parceiro foi o grupo de lideranças da Favela Pedreira Prado Lopes (PPL), historicamente envolvidas com o orçamento participativo de BH. 

A demanda do grupo era incrementar e resgatar um antigo espaço da comunidade, o espaço cidadão. Esse espaço tinha sido o subsolo da caixa d’água da Pedreira, construída para abastecer o Conjunto habitacional IAPI, que, com a sua desativação, foi ocupado por famílias sem teto. No governo Patrus Ananias, foi construído o conjunto Araribá para abrigar essas famílias e o subsolo foi ocupado por lideranças e moradores para a realização de oficinas voltadas para jovens e adultos da favela. Mais tarde, o espaço cidadão virou o Centro Cultural Liberalino Alves e foi transferido para o antigo Mercado da Lagoinha. Com o tempo, grande parte do subsolo foi transformado em uma igreja evangélica, restando para a comunidade apenas uma pequena área.  

Essa história, bem como todo o engajamento político dos moradores da Pedreira, precisava ser contada, o que levou a criação do no Museu do Orçamento Participativo da PPL (MOP-PPL), com o apoio do TCC de uma ex-bolsista do grupo de pesquisa Indisciplinar, a Susan Oliveira. Em 2021, esse TCC gerou uma página do instagram e agora deveria ser desdobrado na reforma do espaço remanescente na sede do Museu.

Processos de aproximação do território

Para ampliar o repertório dos estudantes, foram realizadas 2 visitas: no Muquifo, um museu construído na fronteira do bairro São Pedro com o Morro do Papagaio, a partir de esforços da comunidade e do padre Mauro, que recebeu a turma.

A segunda visita foi ao Lá da Favelinha um espaço idealizado e coordenado pelo Kdu dos Anjos para promover oficinas para os jovens moradores do Aglomerado da Serra. O espaço foi reformado pela equipe do arquiteto Fernando Maculan, que recebeu a turma com o Kdu, para contar aos alunos a história do espaço e dos pressupostos elencados no projeto arquitetônico desenvolvido. 

Como nas outras versões do PFLEX, foram realizadas conversas e dinâmicas com as lideranças, tendo como recursos dialógicos uma grande maquete e jogos, construídos a partir de todo material pesquisado, inclusive das visitas realizadas. 

Referências: Muquifo e Lá da Favelinha

Levantamentos e dinâmicas

Propostas

O resultado foi um projeto em 3 escalas: urbana (com a inserção de uma escada/ mirante, stencils, grafites e pinturas das fachadas), arquitetônica (mudança do layout, pintura de piso, tetos e paredes, novas instalações elétricas e instalação de bancada com pia para  apoio dos lanches) e do design (com transformação das atuais divisórias em mobiliário e suportes expositivos e projeto de luminárias de acrílico com fotos representativas da comunidade).

Propostas dos alunos

Arquitetura Desobediente 2016.1

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Arquitetura Desobediente 2016.1

Parque das Ocupações

O Projeto Flexibilizado (PFlex) Parque das Ocupações foi uma disciplina desenvolvida no primeiro semestre de 2016 sob orientação da professora Marcela Brandão, na qual, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG se envolveram em questões acerca da luta pelo direito à moradia e pela preservação do verde, presentes no contexto das ocupações urbanas Eliana Silva e Paulo Freire, situadas na regional Barreiro do município de Belo Horizonte.

Processos de aproximação ao território

A metodologia da disciplina se embasou na construção de cartografias coletivas das potencialidades locais e das práticas cotidianas de tais ocupações, com foco na relação dos moradores com o verde. Dessa forma, os alunos, divididos em grupos, desenvolveram inicialmente mapeamentos aéreos, ou seja, com pontos de vista distanciados, passando pelo estudo de dados e informações preexistentes no território. Entre os mapas produzidos pelas equipes estão: o de declividades do Parque das Ocupações; o dos trajetos/trilhas e suas classificações viárias; e o de equipamentos públicos, serviços, pontos de ônibus e pontos de reciclagem próximos.


A etapa seguinte contemplou a elaboração de uma maquete física do território. Ela serviu como uma ferramenta dialógica para que moradores e alunos identificassem, por meio de ícones, cada local e sua altimetria, assim como a presença de água, lixo, canteiros, hortas e residências. Fios de barbante e outros itens maleáveis foram utilizados para identificar os percursos mais utilizados pelos moradores.

Fotos dos processos de trabalho dos alunos da disciplina.

Assim como a maquete, outros mapas aterrizados foram produzidos, ou seja, mapas desenvolvidos pelos alunos a partir das visitas ao território e conversas com os moradores. Algumas dessas cartografias podem ser visualizadas abaixo, e por meio delas os alunos puderam constatar que, apesar da subtração da vegetação nas fronteiras entre o território das moradias autoconstruídas e a área de preservação ambiental, o verde retornava às ocupações sob a forma de jardins, hortas e pomares, em vários quintais e frentes das casas, por motivos diversos, desde a necessidade alimentar, passando pela composição da renda familiar, até alcançar a memória afetiva associada aos sabores e ao cheiros das plantas. (BRANDÃO, 2019) Dessa forma, foram observadas a presença de diversas artesanias, oficinas de resíduos e criação de animais.
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Mapeamentos feitos pelos alunos a partir de visitas ao território.

Produção de cartografias

Diversos levantamentos foram feitos pelos alunos com o apoio do grupo de pesquisa, entre eles: mapas dos dados físicos do Vale das Ocupações, relativos ao relevo; microbacias hidrográficas; limites da Área de Preservação Permanente; legislação de uso e ocupação do solo; classificação viária; acessos; pontos de ônibus; velocidade dos ventos; equipamentos públicos; mercados e sacolões; adensamento da mata; geologia; caminhos presentes entre as ocupações e entorno; e principais destinos no bairro. A análise dos mapas levou os grupos às seguintes conclusões:

Há presença de nascentes e canais fluviais na região, e de acordo com as leis do Conama não é permitido ocupar a 50 metros de nascente e 30 metros do leito do rio. Ao analisar os mapas foi possível perceber que as indústrias da região ferem mais a lei que a própria ocupação.

  • As nascentes e os córregos são contribuintes da bacia do Rio Arrudas.
  • Os córregos são utilizados pela população para banhos.
  • Os equipamentos públicos se localizam em áreas estratégicas limítrofes à área de proteção ambiental.
  • Ainda, as cartografias provocaram no grupo de alunos percepções de potencialidades e fragilidades no território, como as descritas abaixo:

Propostas

A partir das cartografias colaborativas e do levantamento dos dados físicos do território, foi possível elencar diretrizes para o Parque, visando a contra invasão do verde na ocupação e a hibridação do verde natural da reserva, com o verde produtivo identificado nas hortas, pomares e jardins cartografados nos quintais e frentes das casas. Entre as propostas desenvolvidas estão:


RUAS COMPARTILHADAS: A presença de um uso mais diverso e equilibrado da rua, identificado nas ocupações, foi visto como uma oportunidade para a proposta de ruas compartilhadas. O objetivo é que as vias possam ser espaço de pedestres, bicicletas e animais, e não só de veículos, além de abrigar jogos, brincadeiras, jardins e arborização.

PAVIMENTAÇÃO: A cidade formal opta por uma opção de pavimentação que nem sempre é a melhor opção quando se trata de um uso misto da rua e mais próximo do ambiente natural. Além da passagem de públicos diferentes é preciso pensar no escoamento da água. Por isso algumas possibilidades diferentes de pavimentação foram abordadas.

(RE)INVASÃO DO VERDE: Imagem 1: Representação de uma praça que poderia ser replicada em outros lugares; Imagem 2: Espaços inutilizados e quintais poderiam se transformar em hortas. Esse é um exemplo de uma praça das pimentas, com o morador que já cultiva pimentas em seu quintal.

PARQUES DE BOLSO: Foi observado que a maioria das crianças se divertem próximo do local onde moram e usam o espaço de despejo de resíduos, como pneus e resto de construção civil, para se divertir, mesmo com um parquinho feito especificamente para as crianças das ocupações. Como há diversos usos nas ruas, crianças, jogos, passeios com animais, etc., e alguns pontos de encontro já existentes, estes poderiam ser potencializados, a partir de micro-praças, parquinhos de bolso e ruas compartilhadas.

EQUIPAMENTOS COLETIVOS: Para lidar com os poucos espaços de referência encontrados nas Ocupações do Barreiro, percebendo presença de alguns locais com essa função, o grupo composto pela Bruna Souza, Marina Reis e Octávio Pena sugeriram a criação de uma sede de formação do MLB.

segmentos posteriores

Com o término da disciplina, os projetos desenvolvidos foram sistematizados pelo grupo de professores e alunos integrantes do Natureza Política, resultando em um caderno, entregue no início de 2017 à coordenação das ocupações. A partir daí, esse caderno passou a ser usado como instrumento de negociação junto ao poder público do município. Desde então, o nome “Parque das Ocupações” passou a ser usado para identificar o projeto paisagístico e urbanístico do Vale das Ocupações, no qual estão inseridas seis (6) ocupações, dentre elas a Eliana Silva e a Paulo Freire.

Além disso, as propostas produzidas pela disciplina e pelo grupo de pesquisa continuam sendo desdobradas até os dias atuais, sempre norteadas pelas práticas e condutas que se conformam como re-existências no território e aproximam moradia e meio ambiente. Essas re-existências são enfatizadas em ações marcadas pelo cuidado e de apreço pelas plantas, animais, água, como também pela troca e pelo compartilhamento, identificável, por exemplo, na coleta e reciclagem de resíduos.

Saiba mais sobre as ações que já aconteceram no Parque das Ocupações na linha do tempo abaixo:

Arquitetura Desobediente | 2021.2

Arquitetura Desobediente | 2021.2

ocupação pátria livre

PRJ081 | Contexto da disciplina

A disciplina Arquitetura Desobediente, desenvolvida no segundo semestre de 2021 sob orientação da professora Marcela Brandão e das monitoras Carina Castro e Manuela Carvalho foi elaborada a partir da parceria com a Ocupação Pátria Livre com o objetivo de reformar ambientes já existentes e projetar novos espaços na ocupação, de forma a tornar o local mais receptivo, aceito pela vizinhança e agradável aos moradores e visitantes que participam das oficinas, palestras e reuniões lá promovidas.

As demandas iniciais foram levantadas através de algumas reuniões remotas envolvendo os representantes da Pátria Livre. A partir dessas conversas, os alunos se dividiram em três grupos que representavam as principais frentes de ação: biblioteca, espaço de eventos, cozinha e identidade visual. O ponto principal da disciplina é a construção conjunta do espaço coletivo com a parceria entre Universidade e comunidade.

Processos de aproximação do território

A disciplina teve como ponto de partida a abertura de um breve diálogo para contextualizar o assunto em questão, além de apresentar algumas observações a respeito do trabalho em uma ocupação. Um dos principais pontos apresentados foi a relação de a parceria entre a Universidade e a comunidade, cria um acordo que ultrapassa os prazos e limites da disciplina, uma vez que diz respeito a narrativas extremamente heterogêneas. Dessa forma, foi necessário entender e respeitar o tempo e a disponibilidade de cada um dos envolvidos. Assim, o Pflex teve como objetivo desenvolver discussões e práticas que vão muito além do desenho e se expandem no sentido de envolver, diretamente, a comunidade e os discentes, numa produção coletiva.

Como preparação para a visita ao território, foram desenvolvidos alguns “jogos” a fim de promover uma participação ativa dos moradores na localização dos principais problemas vividos no espaço. A plataforma Miro foi amplamente utilizada no período remoto, pois permitiu que todos tivessem conhecimento do que estava sendo produzido em cada grupo, além de estabelecer um método de organização por separação de cores. Duas dinâmicas em comum foram usadas pelas três frentes: 1) a escolha de verbos e sensações que se encaixam ou deveriam encaixar no ambiente e 2) a seleção de objetos que existem e deveriam existir em cada local. Além disso, cada grupo desenvolveu um estilo de jogo ou interação mais específico que permitiu uma aproximação dos moradores com as intervenções. As dinâmicas foram levadas à campo na Ocupação, localizada na Pedreira Prado Lopes. Os alunos também tiveram a liberdade de explorar o espaço e detectar os principais pontos a serem trabalhados em cada frente de ação.

Jogos e dinâmicas utilizadas para mapear as potencialidades e problemáticas dos espaços

Propostas espaciais

Durante o pflex, ocorreram mais duas reuniões de acompanhamento, nas quais os grupos apresentavam os seus avanços e os representantes da ocupação expunham suas opiniões. Isso ajudou os alunos a entenderem melhor as necessidades de cada espaço e a buscarem formas mais fáceis de representação gráfica de suas concepções. As propostas finais foram apresentadas ao coordenador da Ocupação Pátria Livre, Vinícius, através de uma reunião virtual na plataforma Zoom, na qual ele deu as suas considerações sobre os projetos.

Grupo dos Eventos

A partir da visita, os grupos analisaram as demandas separadamente. O grupo dos Eventos estudou a área do galpão, muito usado para realização de festividades, reuniões, aulas de dança, etc. Foram mapeados os objetos presentes no local e outros que seriam necessários. A observação presencial, em conjunto às respostas das dinâmicas e às conversas com os moradores, geraram alguns pontos principais a serem trabalhados: a reforma do telhado, os problemas com a acústica, a necessidade de uma saída de emergência e a reorganização do espaço interno (banheiro e palco).

Além disso, o grupo dos eventos propôs uma rua interna, com nome Rua Pátria Livre, que promove uma maior conexão entre o galpão e o pátio. A pintura no chão tem intenção de sinalizar até onde o pedestre é bem vindo, uma vez que a ideia inicial é que a rua fique aberta durante o dia, de acordo com o desejo dos moradores. O muro de cobogó também permite uma separação do ambiente de forma leve, mas efetiva na hora de impedir a entrada de pessoas de fora. Os mobiliários são sustentáveis e permitem que as próprias pessoas os construam. Do lado de dentro do muro de cobogó, existem mobiliários infantis para uso das crianças da ocupação.

Propostas envolvem nova fachada, rua interna, reformulação do espaço interno do galpão com escada de emergência e reforma do telhado

Grupo da Biblioteca

O grupo da biblioteca ficou responsável pelo mapeamento dos gêneros de livros que os moradores gostariam de ter no futuro espaço e de verbos e sensações que deveriam envolver uma biblioteca. A partir disso e das demandas físicas do espaço, como a necessidade de reforço da estrutura e medidas de segurança, foram levantadas várias propostas de curto, médio e longo prazo. A primeira etapa consiste na instalação de guarda-corpos nas lajes pré existentes; a segunda etapa consiste na união das duas lajes por mezanino em estrutura metálica, aumentando a área de circulação; e a terceira consiste no fechamento do espaço por paredes de dry-wall e grandes janelas de vidro, contribuindo para o silêncio e tranquilidade do ambiente. 

Além disso, o grupo também ficou responsável pela organização do espaço de convivência, local de entrada dos moradores. A proposta traz mobiliários, equipamentos de lazer e banheiros para tornar a área mais convidativa e torná-la um espaço de permanência.

Propostas envolvem várias fases de reforma do mezanino e nova área de convivência para os moradores
Grupo da Cozinha

Atualmente, a cozinha comunitária funciona na entrada do galpão de eventos, com duas cozinheiras e o auxílio da comunidade. Apesar da área reduzida, a cozinha produz alimentos de café da manhã e jantar todas as semanas. Além disso, auxilia na produção de alimentos para os eventos que acontecem no galpão. O grupo da cozinha trabalhou a partir da demanda de uma padaria da ocupação e da necessidade de um espaço maior para receber os clientes do restaurante comunitário, que também funcionaria no local. As propostas levaram muito em consideração o funcionamento de cozinhas comunitárias, do processo de panificação e as normas sanitárias.

Propostas envolvem plantas de demolição e construção, cortes e imagens 3D
Identidade Visual

Também foi requisitada uma identidade visual nova para a Ocupação Pátria Livre, como meio de ajudar na arrecadação do dinheiro para as reformas necessárias nos espaços do galpão, cozinha e biblioteca. Assim, a partir de discussões entre a turma e representantes da ocupação, surgem novas cores e logos para representar a ocupação em cartazes de divulgação de eventos para arrecadação e em objetos comercializáveis.

Propostas envolvem nova paleta de cores e formulação da identidade visual dos cartazes de divulgação e objetos

Detalhamentos

 Além das soluções arquitetônicas demandadas para os espaços, cada grupo ficou responsável por detalhar algum aspecto importante de seu projeto, por meio de pequenos tutoriais com função de ensinar os moradores a construírem os seus próprios mobiliários, de forma a aumentar o seu vínculo com a ocupação e buscar modos sustentáveis e econômicos de requalificar um espaço, ou por meio de detalhamentos mais técnicos dos elementos existentes no espaço para auxiliar na execução do projeto. Essa foi uma maneira encontrada de conectar o trabalho feito pelos grupos com os moradores, já que a pandemia impossibilitou a promoção de atividades e oficinas entre todos.

Propostas envolvem detalhamentos técnicos e tutoriais de mobiliários dos grupos da biblioteca, eventos e cozinha respectivamente

Alun@s

Grupo de eventos

Jade Dalfior

Karlla Soares

Luna Machado

Grupo da cozinha

Gabriel Veríssimo

Filip de Paula

Pedro Borges

Beatriz Carvalho

Grupo da biblioteca

Ana Júlia Freire

Ana Luisa Vieira

Leonardo Cardoso

Raquel Borges

Identidade visual

João Paulo Araújo Souto

Arquitetura Desobediente | 2021.1

Arquitetura Desobediente | 2021.1

ASBAFE

PRJ081 | contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

Em 2021/2, o parceiro do PFLEX Arquitetura desobediente foi a ASBAFE (Associação do bairro Jardim Felicidade), cuja sede  precisava ser reconfigurada para atender uma nova demanda do bairro: a criação de uma creche comunitária, o que demandou ao grupo de alunos entender todo o funcionamento na sede, seja no seu cotidiano ou nos dias de festas e comemorações.

Desenvolvimento

No caso do uso corriqueiro, a sede era  utilizadas por jovens (oficinas e aulas de reforço) e por adultos (oficinas e espaço de discussão sobre assuntos gerais do bairro e também assuntos específicos; e em relação às festas, ali se comemorava datas especiais (natal, dia das mães e dos pais, festas juninas, etc.) como aniversários de moradores do bairro (nesse caso, uma taxa simbólica era cobrada para manutenção).

Além da creche, havia uma demanda para melhorar a cozinha e refeitório, a horta, os vestiários e as quadras esportivas.  E para dar conta dos usos já existentes e dos novos, foi preciso que os alunos entendessem  os fluxos (de pessoas, de mantimentos e equipamentos, das águas pluviais, etc.) para projetar acessos sem que houvesse conflitos de interesses.

Novamente, o esquema virtual permitiu um contato intenso entre estudantes e participantes da ASBAFE, incrementado por jogos e dinâmicas. Ao final, foram apresentados 3 estudos de reforma para a sede, com diferentes graus de complexidade e, consequentemente, de custos de implantação. 

Propostas desenvolvidas pelos alunos

Perspectivas 3D

Arquitetura Desobediente | 2020.2

Arquitetura Desobediente | 2020.2

ocupação esperança

PRJ081 | contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

Em 2020/2, ainda no esquema virtual por conta da pandemia, o PFLEX Arquitetura desobediente teve como parceiro a Ocupação Esperança, localizada na região da Izidora, em BH. Na ocasião, o mestrando Daniel Taranto desenvolvia seu trabalho de pesquisa junto àquele território e já havia construído laços sólidos com moradores e lideranças, dentre eles Luizinho, Edna e Rose.  As demandas trazidas para o PFLEX foram de projetos para: horta comunitária, creche e Parque Esperança.

Desenvolvimento

Os encontros virtuais aconteceram de forma intensa, com dinâmicas e jogos construídos na plataforma The Miro, a partir dos quais os moradores e lideranças puderam compartilhar importantes informações com os alunos, discutir coletivamente demandas  e acordar as soluções projetuais compartilhadas. 

Tais soluções foram organizadas sob a forma de um caderno e entregues ao grupo de assessoria técnica da Esperança, a fim de subsidiar negociações junto ao poder público.

Horta

Foi criada uma cartilha informacional para ajudar os moradores no cultivo

Parque Esperança

Creche Filhos da Esperança

Foi criado um infográfico com informações técnicas adicionais

Arquitetura Desobediente | 2019.2

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Arquitetura Desobediente | 2019.2

casa de gentil - raposos

PRJ081 | contexto da disciplina

O PFLEX Arquitetura Desobediente  (PFlex – PRJ081: Arquitetura Desobediente)  foi criado em 2016, a partir do pressuposto que desenho, construção e uso são etapas indissociáveis do processo projetual, conectadas de forma não linear e dinâmica.  Proposta e ministrada pela professora Marcela Brandão, essa disciplina é desenvolvida, desde então,  em articulação com o projeto de extensão Artesanias do Comum, a partir de  demandas vindas de grupos parceiros da extensão. 

No que se refere às metodologias de ensino para o desenvolvimento das propostas arquitetônicas,  os alunos devem construir instrumentos de interlocução interativos (maquetes, jogos, mapas e linhas do tempo) a fim de (1) discutir e problematizar demandas junto aos parceiros, (2) mapear recursos materiais e humanos disponíveis, (3) acordar as soluções projetuais. As propostas arquitetônicas desenvolvidas devem ser consistentes em termos técnico-materiais e viáveis no que se refere aos quesitos econômicos. Parte dessas propostas devem ser executadas por meio de atividades práticas desenvolvidas nos laboratórios da Escola e/ou por meio de mutirões com os parceiros.

No primeiro bimestre de 2019/2, a disciplina foi desenvolvida em parceria com a Casa de Gentil.

Produção de cartografias e propostas

A Casa de Gentil, localizada na Várzea do Rio em Raposos, atua junto aos moradores na formação e afirmação da cultura local, através de oficinas, eventos e ações, que acontecem ao longo do ano. Essas atividades são desenvolvidas por amigos e voluntários que compartilham seus conhecimentos e interagem com as crianças, adultos, moradores, visitantes e voluntários. O principal público são as crianças e jovens do bairro e do entorno. 

Diante de demandas de reforma da sede, a turma de alunos do PFLEX desenvolveu propostas de intervenções arquitetônicas, as quais foram efetivadas por meio de um mutirão, que contou com a participação dos moradores, coordenadores, oficineiros e apoiadores da Casa, estudantes e professores da Escola de Arquitetura.

Todo o processo foi feito com muita interação entre os alunos e os participantes da Casa, inclusive com a construção de maquetes e jogos interativos, a partir dos quais foi possível complexificar as demandas, mapear os recursos e elaborar as propostas.

Processos de aproximação do território

Dinâmicas interativas, produção de maquetes e mutirão

Produtos finais

Alun@s

Isabelle Maia

Marco Aurélio Júnior

Pedro Zanatta

Julia Vieira

Luisa Sônego

Stéfane Eduarda

Arquitetura Desobediente | 2019.1

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Arquitetura Desobediente | 2019.1

territórios populares

PRJ081 | contexto da disciplina

Em 2018, o grupo de pesquisa Indisciplinar é convidado a participar de uma rede nacional de pesquisa, cujo tema era a produção do espaço de territórios populares submetidos processos de reestruturação espaciais associados os interesses do capital, identificáveis tanto na promoção da segregação espacial da população pobre que mora e/ou trabalha ali,  quanto por meio dos movimentos de resistência.

O Indisciplinar decide investigar e mapear a região central de Belo Horizonte, a partir de territórios parceiros do grupo, tais como: Ocupação Carolina de Jesus, Ocupação Pátria Livre, Asmare (Associação de materiais reciclados) e Trabalhadoras do sexo da Rua Guaicurus. cartografia das engendrados por essa população.

Em 2019, apostando no tripé ensino-pesquisa-extensão, O PFLEX Arquitetura desobediente participa desta investigação, contribuindo na produção de “devolutivas” aos moradores/participantes dos territórios parceiros. Deste modo, foram montados 4 grupos de trabalho, cada qual responsável por um dos territórios. Como em outras versões do PFLEX, todo o processo foi iniciado por meio de conversas e dinâmicas interativas com os participantes. As demandas foram mapeadas, bem como os recursos disponíveis, para, então, serem acordadas as propostas arquitetônicas.

Desenvolvimento

O grupo que trabalhou junto a ASMARE desenvolveu um projeto de reforma para a sede da Rua Ituiutaba, que, na ocasião, tinha sido notificado pelo poder público em função de riscos sanitários.

Quanto às trabalhadoras do sexo da Rua Guaicurus, o grupo responsável desenvolveu propostas de reforma para a ASPROMIG, cuja sede estava com sérios problemas de infiltrações e com um lay-out que dificultava o funcionamento das  várias atividades realizadas ali. Além do projeto, o grupo executou um biombo e participou de um mutirão para pintura do espaço junto às coordenadoras da associação.

Para a Ocupação Carolina de Jesus, que já tinha sido parceira do Arquitetura desobediente em 2018/1 e 2018/2,  foi desenvolvido um projeto arquitetônico com a participação dos jovens da ocupação, que demandam na ocasião um lugar para seus encontros, ensaios de dança, filmes, etc. O local definido pela coordenação da Carolina de Jesus foi a antiga boate do edifício (o edifício tinha sido um hotel até a década de 1990).

Por fim, no caso da Pátria Livre, a demanda por divisórias entre as unidades habitacionais da ocupação  levou o grupo de alunos a desenvolver protótipos e, ao identificar a falta de equipamentos de prevenção e combate a incêndio,  a pesquisar e providenciar soluções para esse problema. Depois do término da disciplina,  extintores foram comprados para todos os andares do edifício ocupado.

Processos de aproximação do território com dinâmicas e jogos

Propostas dos alunos

Produtos finais

Arquitetura Desobediente | 2018.1

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Arquitetura Desobediente | 2018.1

ocupações urbanas em belo horizonte

PRJ081 | contexto da disciplina

No primeiro bimestre de 2018/1, a disciplina se articula com algumas das ocupações urbanas de BH. Foram elas: Vicentão, Carolina de Jesus e Casa Tina Martins. 

Importante ressaltar que em setembro de 2017 foram realizadas 2 ocupações por moradia em edifícios vazios localizados na região central de BH, Carolina de Jesus e Pátria Livre, e em janeiro uma terceira, a Ocupação Vicentão.  Vale ressaltar que os edifícios ocupados estavam há muitos anos desocupados, alguns com dívidas junto ao poder público, sem cumprir a função social da propriedade.

A Casa de Referência Tina Martins já havia sido parceira do PFLEX Arquitetura desobediente em 2016/2, e agora, outras demandas desencadearam uma nova aproximação.

Todos os grupos de alunos do PFLEX deram início ao processo projetual a partir de dinâmicas interativas, com uso de maquetes e jogos, a fim de entender melhor as demandas, mapear os recursos materiais e humanos disponíveis, para , então, acordar as diretrizes espaciais para as intervenções pretendidas. 

Ocupação carolina maria de jesus – avenida afonso pena

O grupo que trabalhou junto aos moradores da Ocupação Carolina de Jesus optou por desenvolver propostas para uma sala que abrigava livros e alguns brinquedos. Foram realizadas as seguintes intervenções: melhoria da iluminação natural, separação dos livros por assuntos e interesses, construção de mobiliário para leitura e atividades recreativas. 

O dinheiro para a execução de parte do que foi projetado foi arrecadado pelos próprios alunos com a venda de bolos e doces na Escola de Arquitetura. Um manual simples de montagem dos objetos também foi disponibilizado.

Jogos e dinâmicas utilizadas com as crianças da Ocupação e espaço da biblioteca
Propostas dos alunos e produção de mobiliários
Produtos finais

casa tina martins

Na Casa Tina Martins, os alunos fizeram dinâmicas e jogos com as participantes da Casa,  a fim de identificar qual espaço a ser trabalhado, principais demandas e possibilidades de soluções. A área externa onde aconteciam as feiras e eventos foi a escolhida, em função da grande insolação que dificultava a exposição das mercadorias. Uma grande cobertura foi executada, utilizando um rolo de tela de proteção   de obras, que foi instalada nos muros e fachada da Casa, por meio de ganchos e tirantes.

Propostas envolvem sombrites no lado externo da construção

Ocupação vincentão | fachada

Diante da pouca permeabilidade entre a Rua e a entrada da Ocupação, provocada por tapumes instalados na parte interna da grade do edifício ocupado anteriormente, um grupo de alunos encarou o desafio de melhorar a interação entre esses dois espaços, sem, entretanto, fragilizar o que  os moradores anunciavam como proteção e segurança. Ao final das conversas e dinâmicas realizadas, o tapume foi invertido, ou seja, instalado na parte externa da grade, e grafitado por artistas parceiros, Zi, Élder, Richard e Alexandre. Para viabilizar a pintura, os alunos promoveram a venda de rifas para arrecadação de um total de 300 reais. 

O resultado final foi um grande painel colorido e afetivo, que anunciava para quem passasse na rua que ali era a Vicentão.

Dinâmicas com os moradores
Produção dos grafites na fachada da ocupação
Propostas envolvem nova paleta de cores e formulação da identidade visual dos cartazes de divulgação e objetos.

Ocupação vincentão | escada

Através de conversas e discussões com os moradores, os alunos deste grupo identificaram que a escada funcionava como uma importante “rua” da Vicentão, já que os elevadores do edifício estavam desligados.  Ali, além da circulação dos moradores e objetos, havia troca de informações sobre reuniões e demais eventos  da ocupação. Dessa maneira, o grupo adaptou um carrinho obtido por doação, a fim de  facilitar o transporte de objetos pesados. Além disso, foram instalados um sistema de lanternas com dínamo para melhorar a iluminação e um quadro de avisos para facilitar a comunicação entre os moradores.

Para cobrir os custos das ações, foram vendidos bolos e doces na Escola de Arquitetura pelos próprios alunos.

Propostas e produtos finais envolvem iluminação, mural de avisos e carrinho de carga

Alun@s

Grupo Ocupação Carolina

Eduarda Monti Silva

Gabriela Megegiatti Zanotti

Joyce Lemos

Matheus Guimarães

Grupo Tina Martins

Beatriz Bartholo

Letícia

Leonardo

Grupo Vicentão (fachada)

Anna Carolina Navarro

Lucas Maia

Luciano Silva

Grupo Vicentão (escada)

Beatriz Werneck

Lucas Oliveira

Sabrina Oliveira

Arquitetura Desobediente | 2017.2

capa-colagem-mlbus

Arquitetura Desobediente | 2017.2

projeto mlbus

PRJ081 | contexto da disciplina

A disciplina de projeto Arquitetura Desobediente, desenvolvida no segundo semestre de 2017 sob orientação da professora Marcela Brandão, foi elaborada a partir da doação de um ônibus da empresa VINA para o MLB que, apesar de antigo (fabricado em 1994), estava em perfeitas condições para realizar os deslocamentos que o Movimento necessitava para suas ações de militância. O “direito à cidade”, experimentado por jovens que participaram de uma ação extensionista anterior, que foram as oficinas de rádio, poderia ser ampliado, e isso foi percebido pelo Movimento como sendo um ganho enorme para a luta pela moradia. 

Dessa forma, a disciplina propôs a transformação do ônibus, sendo que este deveria promover maior mobilidade urbana aos moradores das ocupações organizadas pelo MLB, mas também possibilitar diferentes usos e apropriações, ou seja, quando estivesse estacionado, ele deveria acolher outras atividades importantes para os moradores das ocupações, como feiras e sessões de cinema. Assim, o plano de ensino da disciplina propôs a conjugação entre projeto e construção, na escala do que é entendido como “arquitetura de interiores”, trabalho que foi desenvolvido coletivamente entre discentes e a comunidade das ocupações Eliana Silva e Paulo Freire, na região do Barreiro em Belo Horizonte.

Processos de aproximação do território

A disciplina teve como ponto de partida a abertura de um breve diálogo para contextualizar o assunto em questão, além de apresentar algumas observações a respeito do trabalho em uma ocupação. Um dos principais pontos apresentados foi a relação de a parceria entre a Universidade e a comunidade, cria um acordo que ultrapassa os prazos e limites da disciplina, uma vez que diz respeito a narrativas extremamente heterogêneas. Dessa forma, foi necessário entender e respeitar o tempo e a disponibilidade de cada um dos envolvidos. Assim, o Pflex teve como objetivo, desenvolver discussões e práticas que vão muito além do desenho e se expandem no sentido de envolver, diretamente, a comunidade e os discentes, numa produção coletiva.

Os alunos da disciplina iniciaram o processo com a elaboração de “instrumentos cartográficos”, com o objetivo de disparar discussões sobre mobilidade urbana, relações de vizinhança, as atividades dos moradores no seu cotidiano, e também nas festas, reuniões, bazares, manifestações, etc. Além de uma maquete desmontável do ônibus, os alunos montaram um grande mapa do entorno do Vale das Ocupações, e com os equipamentos públicos marcados, construíram um jogos de palavras e um kit de imagens de ônibus reformados. A  intenção era cartografar o território; mapear a produção do espaço engendrada por eles; ampliar repertórios; levantar as habilidades de cada um e os recursos disponíveis nas ocupações; discutir possibilidades e construir os acordos necessários para a realização efetiva da reforma do ônibus.

Contato com o terreno da Ocupação Eliana Silva

O primeiro contato com as ocupações do Barreiro foi extremamente importante para o desenvolvimento da disciplina. Em uma visita à Ocupação Eliana Silva, os alunos puderam observar: a declividade do terreno previsto para acolher o MLBus e outras atividades, assim como fazer levantamentos topográficos e fotográficos do local; a existência da estrutura de dois banheiros que eram subutilizados; a potencialidade do terreno de articular a ocupação com o bairro vizinho, tendo em vista seus duplos limites: Av. Che Guevara, interna à ocupação, e Av. Perimetral, externa à ocupação; e as dificuldades de manobras do ônibus no terreno.

Instrumentos dialógicos

Antes da ida ao território para a realização das dinâmicas junto aos moradores, os alunos realizaram em sala a elaboração: de uma maquete do terreno e do ônibus; de uma malha qualificada do terreno; de um mapa do entorno das ocupações; além de ícones disparadores de debates, os quais eram divididos por 1) grupos, encontros, eventos e oficinas + 2) habilidades e materiais disponíveis + 3) lugares e a relação econômica e de troca.

Demandas levantadas
Em uma primeira conversa entre alunos e moradores, no dia 10 de agosto de 2017, na ocupação Eliana Silva, a demanda principal levantada foi a de construir um espaço multiuso, capaz de ser destinado tanto para festas, quanto para reuniões e até mesmo ser sede do MLB. Entretanto, devido a inexistência de verba, tornou-se impraticável criar uma estrutura no terreno existente, daí surgindo a ideia de utilizar o ônibus como espaço coletivo. Algumas das ideias que surgiram para o uso do ônibus foram: a criação de um bazar; o uso para deslocamento dos moradores pela cidade; e o uso coletivo para reuniões e encontros.
 
Algumas das potencialidades percebidas, citadas anteriormente, foram:
  1. A existência de estrutura de dois banheiros que estavam subutilizados na ocupação.
  2. Visibilidade e potencialidade do terreno de articular com o bairro vizinho.
 

Dinâmica sobre os dispositivos de diálogos realizada na ocupação Eliana Silva, no dia 10 de agosto de 2017

Alguns problemas foram percebidos e destacados pelos alunos após a primeira conversa na Eliana Silva.  Entre os principais, se destacou a participação de poucos moradores, fato que poderia ser justificado pelo horário no qual a reunião aconteceu, já que tratava-se de um dia de semana e em horário comercial. Além disso, os grupos tiveram uma certa dificuldade em criar um diálogo conciso e por fim, foi colocada em pauta a eficiência do jogo, afinal, naquela ocasião o jogo foi algo um tanto quanto confuso e talvez apenas perguntas disparadoras gerariam uma articulação mais clara e possível de interação. 

Na intenção de reduzir esse problema, foi criada uma nova metodologia de aproximação. Durante o percurso da disciplina foram criados dispositivos capazes de aproximar os moradores do processo, sendo que um deles foi a criação de uma dinâmica com perguntas disparadoras. Tais dispositivos tinham a função de sair do sistema convencional e propor um diálogo personalizado para aquela localidade, assim como o reconhecimento e proposta de parcerias. Além disso, o uso do mapa do território, com a possibilidade de identificação e marcação, possibilitou uma conversa fluida.

Dinâmicas realizadas com os moradores em visita à Paulo Freire, no dia 21 de agosto de 2017
A fim de angariar recursos financeiros para o mutirão da reforma do MLBus, os discentes promoveram bazares na Escola de Arquitetura.

Propostas

A partir das discussões feitas, os alunos desenvolveram propostas arquitetônicas, com orçamentos e cronograma das atividades necessárias para sua execução e depois, apresentaram-nas aos moradores.  Entre as propostas, destacam-se: a retirada de alguns bancos internos do ônibus para dar lugar a um novo mobiliário capaz de acolher atividades de leitura, venda de produtos e pequenas reuniões; e a instalação de um toldo na lateral externa do ônibus, que quando esticado na horizontal, formaria uma tenda agregando atividades sob ele, e quando esticado verticalmente, funcionaria como uma grande tela de projeção de filmes. Algumas das propostas foram executadas em um fim-de-semana, sob a forma de mutirão.
Propostas dos discentes para o MLBus
Mutirão para início da reforma do MLBus

Segmentos posteriores

A alteração estética da carcaça do ônibus também foi aprovada pelos moradores das ocupações, mas só foi executada após o término da disciplina. Os bolsistas dos projetos de extensão e pesquisa da época se encarregaram dessa atividade, que incluiu desde o desenvolvimento da identidade visual do ônibus, até sua execução de fato. Para isso, foi feito um mapeamento das palavras fortes associadas ao MLB em sua página do Facebook, e posteriormente, foram apresentadas em uma discussão entre discentes e coordenadores do Movimento, na intenção de definir quais palavras comporiam a identidade visual pretendida, foram selecionadas: moradia digna, protesto, direitos, reforma urbana, feminismo, famílias e outras. Essas palavras foram pintadas, sob a forma de um skyline, nas laterais do ônibus pelos próprios alunos e com o apoio dos funcionários da VINA, que também disponibilizaram tintas e equipamentos de pintura.

Durante a reforma do MLBus
Em fevereiro de 2018, o ônibus foi entregue ao MLB, em um café da manhã comemorativo que contou com a presença dos moradores, lideranças, representantes da VINA, estudantes e professores da Escola de Arquitetura. Junto com o ônibus, também foi entregue à comunidade o mobiliário desenvolvido na disciplina do curso de Design, ministrada pela professora Luciana Bragança, no 2º semestre de 2017, para dar suporte às atividades educativas da biblioteca da Ocupação Eliana Silva e/ou às atividades itinerantes a serem realizadas através do ônibus doado.
MLBus finalizado e entregue à comunidade
Desde então, o ônibus passou a circular pela cidade, e é utilizado até os dias de hoje pelo MLB em suas práticas políticas, promovendo bazares, levando os moradores para reuniões, manifestações e outras atividades.

Cartazes de divulgação da coleta de assinaturas para a formação do partido político Unidade Popular pelo Socialismo (UP); e eventos onde o MLBus e os móveis desenvolvidos na disciplina da professora Luciana Bragança estiveram presentes

linguagens técnicas e poéticas

As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.

narrativas

Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.

cartografia

A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.


O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.

assessoria técnica

Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.

giro epistemológico

O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.

(HAESBAERT)

práxis instituinte

A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.

(Dardot&Laval, 2016, p.368)

comum

O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.

Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.

(Dardot&Laval, 2016, p.40)

imaginários radicais

A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.

(Castoriadis, 1982, p.176)

emancipação

A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.


(SAFATLE)

dispositivos

“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”


(Foucault, 2015, p.364)

poder

O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.


(FOUCAULT)