Coordenação: Grupo de Pesquisa Natureza Política
Profas. responsáveis: Luciana Bragança(PRJ/EA-UFMG).Marcela Brandão (PRJ/EA-UFMG)
Organização: Equipe Natureza Politica.
Nos dias 13, 14 e 15 de março, foi realizada a primeira etapa do II Seminário Internacional Natureza Política: Práticas em Movimento. Esta etapa, intitulada “Cosmopolíticas: Práticas em Movimento”, marcou o início do grupo de pesquisa. Ao longo de três dias de seminários e oficinas, o evento buscou lançar luz sobre as cosmopercepções no território. O objetivo principal era compreender os desafios da cosmopolítica e a necessidade de reconhecer o mundo como composto por diversos mundos, bem como identificar agentes legítimos além dos humanos, tais como água, animais e plantas, com os quais buscamos estabelecer alianças.
No primeiro dia do seminário, foi conduzida uma palestra inaugural pela Professora Doutora Luciana Bragança, que apresentou o grupo de pesquisa Natureza Política. Em seguida, ocorreu a palestra magna proferida pela Professora Doutora Natacha Cabrera, da Universidade de Cuenca (UCUENCA), integrante do programa internacional RUN – CYTED. Esses primeiros momentos foram fundamentais para estabelecer os fundamentos do seminário e oferecer uma visão inicial dos temas e debates que seriam abordados ao longo do evento.
No segundo dia do seminário, realizou-se a primeira mesa redonda com o tema “Conflito Socioambiental e Cosmopolítica: Desafios na Caracterização de Territórios Populares e Conflitos”. Participaram da mesa a Profa. Dra. Simone Tostes (IFMG), a Profa. Dra. Priscila Musa (PUC/UFMG) e Leonardo José Teixeira (Conselheiro CBH-Rio das Velhas), trazendo diversas perspectivas sobre o assunto com a mediação feita por Luana Rocha, do NPGAU-UFMG.
No terceiro dia do seminário, teve lugar a segunda mesa redonda, focada nos “Desafios Cosmopolíticos: Mobilização e Sensibilização para Questões Ambientais”. Participaram da mesa a Profa. Dra. Monique Sanches (UFOP), a Profa. Ms. Isabela Prado (UFMG), e Laudicena Curvelo Pereira, Gerente do Parque Estadual da Baleia.
A mediação foi conduzida pela Profa. Dra. Marcela Brandão, do grupo Natureza Política da UFMG. Essa mesa proporcionou uma análise profunda dos desafios enfrentados na mobilização e sensibilização para questões ambientais, reunindo diferentes perspectivas e experiências relevantes para o debate.
As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.
Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.
A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.
O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.
Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.
O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.
(HAESBAERT)
A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.
(Dardot&Laval, 2016, p.368)
O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.
Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.
(Dardot&Laval, 2016, p.40)
A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.
(Castoriadis, 1982, p.176)
A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.
(SAFATLE)
“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”
(Foucault, 2015, p.364)
O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.
(FOUCAULT)