A experiência desenvolvida na disciplina “Comunicação Visual o edifício e a Cidade” (primeiro semestre de 2018) oferecida a alunos do curso de Design e Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais produziu um mapeamento e uma sinalização inseridas no território na Rua Souza Aguiar .
Essa sinalização tinha o seguinte objetivo: localizar e relacionar os jardins privados e públicos que se desenvolviam na Rua Souza Aguiar, no bairro São Geraldo em Belo Horizonte. O objetivo de inserir essa sinalização no espaço público da rua era explicitar as relações entre humanos e não-humanos que se desenvolvem nos Jardins desse território. Era tornar visível as narrativas da natureza que se desenvolvem cotidianamente no bairro.
No primeiro semestre de 2018, a pesquisa Jardins Possíveis estava mapeando jardins no bairro São Geraldo, zona leste de Belo Horizonte a montante do ribeirão Arrudas. A pesquisa estava investigando as relações multiespécies nesses jardins. Os alunos dos cursos de Design e de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG foram convidados a criar um sistema gráfico ambiental que favorecesse a comunicação com os jardineiros por meio da disciplina “Comunicação Visual: o Edifício e a Cidade” ministrada pela professora Luciana Souza Bragança.
A disciplina propôs a marcação física do território por meio da criação de um sistema gráfico ambiental com uma sinalização implantada, como forma de chamar a atenção tanto para os jardins e suas relações multiespécie como para a pesquisa, buscando o estreitamento dos laços entre a pesquisa Jardins Possíveis, os moradores e entre o território, enfim entre todos os agentes. Essa marcação foi desenvolvida junto aos alunos A disciplina contou com o apoio de uma bolsista de iniciação científica.
O sistema gráfico ambiental tem o cuidado de moldar a informação ao seu contexto, associando-a as questões do lugar, ecológicas e de preservação. É neste sentido que o termo design gráfico ambiental suplanta a ideia de sinalização (signage), pois esta diferença semântica reforça e distingue a prática profissional e teórica consciente (design gráfico ambiental) da prática essencialmente comercial (sinalização). Estes projetos precisam ser desenvolvidos com uma visão mais global e interdisciplinar, não somente definindo os conceitos gráficos (tipografia, pictogramas, setas, imagens, grafismos, diagramação e cor) e formais, mas considerando também as demais relações espaciais (VELHO, 2006)
Os objetivos didáticos descritos na ementa da disciplina foram: compreender as relações sóciosespaciais proporcionadas pelos agentes sócio naturais; relações visuais entre os elementos que compõem o espaço urbano e a arquitetura mediados pela natureza; processos de intervenção na paisagem da cidade por meio da comunicação visual.
Os objetivos gerais da disciplina foram: discutir, apresentar e problematizar as possibilidades da comunicação visual aplicada ao espaço urbano e seus equipamentos, mobiliários e serviços; apresentar, discutir e problematizar a comunicação visual como um importante campo da vida urbana e como ferramenta prospectiva e de informação do cotidiano. Os objetivos específicos são induzir, incentivar e aprimorar a capacidade dos alunos de: pesquisar sobre modos de comunicar na cidade; coletar e interpretar dados culturais, ambientais, físico-geográficos; sintetizar as principais informações; elaborar diagramas, gráficos, mapas temáticos, tabelas, análise crítica; elaborar e produzir um sistema gráfico ambiental; implantar esse sistema gráfico ambiental para tornar visíveis as narrativas da natureza no espaço.
Os alunos propuseram uma pintura no piso, lambe-lambes a serem colocados nos postes que continham a legenda desse mapeamento. Um mapa também foi produzido em papel para ser deixado junto ao Bar do Tata, local de reunião dos moradores. Só foi colocada a sinalização em frente às casas das pessoas que permitiram a sinalização.
Após a sinalização ter sido implantada foi despertado o interesse de alguns moradores em saber do que se tratava aquela intervenção. Tal ação contribuiu de forma significativa para a aproximação da pesquisa e dos pesquisadores com os moradores, para chamar atenção para àqueles elementos multiespécie que compunham os jardins comuns e para identificação mútua dos jardineiros.





Gustavo Rocha Palhares Horta
Isadora De Paula Lisboa
Karina Ribeiro Magalhaes
Lucas De Souza Dota
Luiz Miranda Pereira
Marina Lana De Paula
Marina Ribeiro Ferraz De Ferraz
Nina Correa Vidigal
Thales Santiago Duarte Clara
As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.
Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.
A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.
O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.
Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.
O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.
(HAESBAERT)
A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.
(Dardot&Laval, 2016, p.368)
O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.
Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.
(Dardot&Laval, 2016, p.40)
A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.
(Castoriadis, 1982, p.176)
A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.
(SAFATLE)
“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”
(Foucault, 2015, p.364)
O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.
(FOUCAULT)