natureza política

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sobre

Como os jardins podem fazer a cidade hoje? Como interagem e participam do nosso cotidiano? Qual relação multiespécies se estabelece neles? Que projeto de vida os jardins representam para além do jargão sustentável e do embelezamento cenográfico? Como reaprender a conviver com os viventes, reconhecendo e inventando novas formas de coexistência no nosso mundo urbano?

Essas são algumas das questões norteadoras da pesquisa Jardins Possíveis, patrocinada pela pró- reitoria de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Unindo revisão e produção teórica, percorrendo autores como Isabelle Stengers, Anna Tsing, Gillés Clément, Olivier Mongin, Bruno Latour, a pesquisa visa compreender a relação multiespecies a partir da perspectiva dos jardins, identificando jardins “não oficiais” na cidade Belo Horizonte, Minas Gerais. Logo, busca analisar os espaços por eles proporcionados e as formas como desencadeiam processos de novas territorialidades, levantando hipóteses alternativas para embasar políticas de projeto para as cidades e os espaços públicos.

Foi  levantado a ocorrência de jardins urbanos em Belo Horizonte, inicialmente em 3 áreas dentro de um recorte ao longo da margem do Ribeirão Arrudas: Barreiro, Hipercentro/Lagoinha e São Geraldo. Junto ao mapeamento dos espaços de jardim, a pesquisa busca reconhecer os jardineiros como agentes da cidade, capazes de conviver com as outras espécies reconhecendo e inventando novas formas de coexistência no nosso mundo urbano.

Jardins Possíveis e águas na Cidade

Em 2021, a partir do reconhecimento da água como agente primordial para constituição desses territórios, iniciou-se a pesquisa Jardins Possíveis e águas na Cidade. Essa pesquisa vem sendo desenvolvida junto a Rede Cyted RUN – Rios Urbanos Naturalizados. A rede Cyted RUN | CIÊNCIA CIDADÃ E COCRIAÇÃO COMO MEIOS DE REGENERAÇÃO DE RIOS E MINIMIZAÇÃO DE RISCOS,  visa criar um constante e dinâmico intercâmbio de conhecimento e experiências de fomento à mudança paradigmática no tratamento dos rios urbanos, com a consequente identificação de formas de desenhar (novas) estratégias de construção da cidade – com as comunidades locais e a partir dos territórios em que estão inseridas. A rede inclui quatorze parceiros ibero-americanos de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Espanha, Paraguai, Portugal e Peru. Site: https://run.ulusofona.pt/

equipe

COORDENADORA:

Profa. Dra. Luciana Souza  Bragança

PESQUISADORES:

Jardins Possíveis

2017 – 2018  – Bolsa de pesquisa PRPQ, ADRC: Gabriela Rezende

2017 – 2019 – Bolsa de pesquisa voluntária ICV: Lorena Souza

2019 – 2020 – Bolsa de pesquisa PROBIC: Clarisse Fonseca Mourao Pereira Rodarte

Jardins Possíveis e águas na cidade

2022 -2023 – Bolsa de pesquisa voluntária ICV: Gabriela de Barros Grossi 

2022 -2023 – Bolsa de pesquisa voluntária ICV:  Thais Soares da Silva

2022 -Bolsa PRPq- PROBIC – Virgílio Muniz de Magalhães

2023 – Bolsa PRPq- PROBIC – Antônio Prado Libânio

2022 -2023 – Bolsa de pesquisa voluntária ICV:  Alana Costa de Oliveira

linguagens técnicas e poéticas

As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.

narrativas

Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.

cartografia

A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.


O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.

assessoria técnica

Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.

giro epistemológico

O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.

(HAESBAERT)

práxis instituinte

A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.

(Dardot&Laval, 2016, p.368)

comum

O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.

Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.

(Dardot&Laval, 2016, p.40)

imaginários radicais

A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.

(Castoriadis, 1982, p.176)

emancipação

A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.


(SAFATLE)

dispositivos

“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”


(Foucault, 2015, p.364)

poder

O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.


(FOUCAULT)