natureza política

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Arquitetura Desobediente | 2019.1

territórios populares

PRJ081 | contexto da disciplina

Em 2018, o grupo de pesquisa Indisciplinar é convidado a participar de uma rede nacional de pesquisa, cujo tema era a produção do espaço de territórios populares submetidos processos de reestruturação espaciais associados os interesses do capital, identificáveis tanto na promoção da segregação espacial da população pobre que mora e/ou trabalha ali,  quanto por meio dos movimentos de resistência.

O Indisciplinar decide investigar e mapear a região central de Belo Horizonte, a partir de territórios parceiros do grupo, tais como: Ocupação Carolina de Jesus, Ocupação Pátria Livre, Asmare (Associação de materiais reciclados) e Trabalhadoras do sexo da Rua Guaicurus. cartografia das engendrados por essa população.

Em 2019, apostando no tripé ensino-pesquisa-extensão, O PFLEX Arquitetura desobediente participa desta investigação, contribuindo na produção de “devolutivas” aos moradores/participantes dos territórios parceiros. Deste modo, foram montados 4 grupos de trabalho, cada qual responsável por um dos territórios. Como em outras versões do PFLEX, todo o processo foi iniciado por meio de conversas e dinâmicas interativas com os participantes. As demandas foram mapeadas, bem como os recursos disponíveis, para, então, serem acordadas as propostas arquitetônicas.

Desenvolvimento

O grupo que trabalhou junto a ASMARE desenvolveu um projeto de reforma para a sede da Rua Ituiutaba, que, na ocasião, tinha sido notificado pelo poder público em função de riscos sanitários.

Quanto às trabalhadoras do sexo da Rua Guaicurus, o grupo responsável desenvolveu propostas de reforma para a ASPROMIG, cuja sede estava com sérios problemas de infiltrações e com um lay-out que dificultava o funcionamento das  várias atividades realizadas ali. Além do projeto, o grupo executou um biombo e participou de um mutirão para pintura do espaço junto às coordenadoras da associação.

Para a Ocupação Carolina de Jesus, que já tinha sido parceira do Arquitetura desobediente em 2018/1 e 2018/2,  foi desenvolvido um projeto arquitetônico com a participação dos jovens da ocupação, que demandam na ocasião um lugar para seus encontros, ensaios de dança, filmes, etc. O local definido pela coordenação da Carolina de Jesus foi a antiga boate do edifício (o edifício tinha sido um hotel até a década de 1990).

Por fim, no caso da Pátria Livre, a demanda por divisórias entre as unidades habitacionais da ocupação  levou o grupo de alunos a desenvolver protótipos e, ao identificar a falta de equipamentos de prevenção e combate a incêndio,  a pesquisar e providenciar soluções para esse problema. Depois do término da disciplina,  extintores foram comprados para todos os andares do edifício ocupado.

Processos de aproximação do território com dinâmicas e jogos

Propostas dos alunos

Produtos finais

linguagens técnicas e poéticas

As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.

narrativas

Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.

cartografia

A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.


O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.

assessoria técnica

Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.

giro epistemológico

O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.

(HAESBAERT)

práxis instituinte

A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.

(Dardot&Laval, 2016, p.368)

comum

O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.

Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.

(Dardot&Laval, 2016, p.40)

imaginários radicais

A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.

(Castoriadis, 1982, p.176)

emancipação

A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.


(SAFATLE)

dispositivos

“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”


(Foucault, 2015, p.364)

poder

O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.


(FOUCAULT)