O projeto Entre Rios e Jardins é uma parceria entre a pesquisa Jardins Possíveis (professora Luciana Bragança – Escola de Arquitetura | UFMG) e a pesquisa Entre Rios e Ruas (professora Isabela Prado – Escola de Belas Artes | UFMG).
O Ribeirão Arrudas, elemento importante na paisagem da cidade, e que une as pesquisas Entre Rios e Ruas e Jardins Possíveis, é tomado como fio condutor para as propostas de Entre Rios e Jardins, que tratam da relação entre a cidade, suas águas, e elementos humanos e não-humanos, como plantas e animais.
A proposta foi trabalhada durante a pandemia, estabelecendo uma interlocução com os centros culturais que se localizavam ao longo da bacia do Ribeirão Arrudas, na periferia e na área central de Belo Horizonte, articulando uma oficina virtual de desenho, na qual as falas de moradores coletadas pela pesquisa Jardins Possíveis e as propostas da pesquisa Entre Rios e Ruas eram usadas como provocações dos desenhos das pessoas. Posteriormente, esses desenhos viraram lambes que foram apresentados na fachada do Espaço do Conhecimento da UFMG e colados pela cidade.
Os relatos dos moradores também foram veiculados pelo programa Rádio Janela em várias regiões de Belo Horizonte, através de um carro de som que circulou contando essas histórias.










Lambes produzidos na oficina on-line.

Exposição de lambes.
FICHA TÉCNICA:
Coordenação: Luciana Souza Bragança – Escola de Arquitetura UFMG
Isabela Prado – Escola de Belas Artes UFMG
Montagem dos vídeos: Luiz Eduardo Minks Pereira
Centros Culturais: Lindéia Regina – CCLR
Salgado Filho – CCSF
Liberalino Alves de Oliveira – CCLAO
São Geraldo – CCSG.
As significações imaginárias e simbólicas sobre o que sejam “cidades mais justas e sustentáveis” são diversas e atravessadas pelos valores instituídos. Para ampliar tais significações é preciso acionar linguagens diversas, oriundas dos campos técnicos e poéticos.
Para um mesmo fato, surge mais de uma narrativa que explica/justifica tal fato, ou seja, há muitas figurações que precisam ser expandidas, antes que se faça uma separação precoce do que possa ser falso ou verdadeiro, exato ou figurativo. A partir da diversidade de narrativas, orbitam atores humanos e não-humanos diversos, antagônicos ou não.
A cartografia como metodologia assume a pesquisa como dispositivo de intervenção, produtora de acontecimentos abertos à imprevisibilidade da ação.
O movimento alternado do observador-pesquisador, ora em direção ao processo que pretende analisar, ora se afastando dele, desestabiliza a separação entre sujeito e objeto, tornando sujeitos políticos tudo e todos os envolvidos nos processos, com vozes e saberes a serem compartilhados, e, por isso, passíveis de transformação.
Várias atividades extensionistas desenvolvidas pelo Natureza Política se aproximam das práticas de Assessoria Técnica, na medida em que demandas socioespaciais são trazidas por moradores e/ou lideranças comunitárias. Contudo, essas demandas são sempre problematizadas, tendo em vista a sua articulação à pesquisa e à produção de uma ciência viva e engajada socialmente, na fricção do erudito e do popular, resultando em um conjunto de técnicas e procedimentos coletivamente acordados, que visa a inclusão social e a justiça ambiental.
O chamado “giro espacial” é identificado a partir de uma mudança de ênfase da dimensão temporal para a dimensão espacial da sociedade, mudança esta ocorrida, aproximadamente, a partir do início da década de 1980 em termos da reflexão teórica, mas com raízes concretas que remontam aos movimentos culturais e eco lógicos dos anos 1960-70. O termo “giro decolonial” foi “cunhado originalmente por Nelson Maldonado-Torres em 2005” e “basicamente significa o movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade.
(HAESBAERT)
A única práxis emancipadora é aquela que faz do comum a nova significação do imaginário social. Isso significa também que o comum, […], sempre pressupõe uma instituição aberta para a sua história, […], para tudo aquilo que funcione como o seu inconsciente.
(Dardot&Laval, 2016, p.368)
O comum deve ser pensado como co-atividade (…) somente a atividade prática dos homens pode tornar as coisas comuns (…), pode produzir um novo sujeito coletivo.
Se existe “universalidade”, só pode ser trata-se de uma universalidade prática.
(Dardot&Laval, 2016, p.40)
A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva ou criadora, do que nós chamamos imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações.
(Castoriadis, 1982, p.176)
A emancipação advém tanto da compreensão dos mecanismos de poder e sujeição, quanto da destituição da forma de agência que tais mecanismos pressupõe (…) A emancipação é uma deposição do saber, é uma decomposição da voz e a instauração de uma nova gramática de poder na vida social.
(SAFATLE)
“Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo”
(Foucault, 2015, p.364)
O poder tem que ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia.
(FOUCAULT)